'We Can Do It!': conheça Rosie, ícone da luta feminista

Imagem tinha outro significado quando foi criada

Publicado em 15/12/2017
imagem de Rosie no cartaz "We can do it!"

Rosie, a rebitadeira, famosa pelo pôster We Can Do It! ("Nós podemos fazer isso") é o maior ícone feminista do nosso tempo. Porém, por mais contraditório que pareça, a criação do cartaz estava longe de qualquer causa ou luta feminina. 

Criado durante a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, o cartaz foi exibido apenas por algumas semanas, em uma fábrica do meio oeste da Westinghouse Electric & Manufacturing Company.

"A empresa encomendou ao artista gráfico J. Howard Miller para produzir uma série de cartazes, cada um destinado a ser exibido por um período de tempo limitado, em algumas semanas de fevereiro de 1943. Não foi encomendado pelo governo dos EUA e nem sequer destinava-se ao público em geral. Apenas um número relativamente pequeno de pessoas viu isso na época", conta Flavia Di Consiglio em entrevista à BBC

cartaz de rosie

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Ao ver o cartaz original com cuidado, fica claro que a imagem foi criada para um exercício corporativo e não para ser símbolo do empoderamento feminino. "'Nós podemos fazer isso!', significava apenas 'Trabalhe duramente, garotas!'. Entre 1942 e 1945, aproximadamente 6 milhões de mulheres assumiram novos empregos. As Rosies da vida real inundaram as fábricas, muitas das quais começaram a trabalhar antes de seus empregadores terem emitido uniformes e equipamentos de segurança adequados", afirma a jornalista Stephanie Buck para o site Timeline.

Após a Guerra, as mulheres foram convidadas a voltar para casa e administrar o conforto de seus maridos. No entanto, algumas trabalhadoras não tinham a opção de abandonar o trabalho, devido a situação econômica precária. Em questão de anos o estilo de vida feminino se transformou: trabalho temporário nas fábricas e doméstico em tempo integral.

Retorno triunfante

A imagem da mulher no cartaz acabou se tornando popular nos anos 1970.  "O cartaz é simples, populista e sem pretensão, pois a imagem de uma mulher forte e auto-suficiente ganhou valor àqueles que desejavam se identificar com os direitos por igualdade das mulheres", afirmou o estudioso Jim Aulich. 

Nos anos 1980, com exposições da Segunda Guerra Mundial no Museu Nacional da História Americana e os Arquivos Nacionais, o cartaz relativamente obscuro de Rosie ressurgiu como uma imagem feminista. Em 1983, o Arquivo estava reproduzindo a imagem como suvenir, e atualmente vendem um copo da personagem por 5,50 dólares e um compacto de maquiagem por 11,50 dólares.

Mulher na Guerra

A "campanha de força feminina" que o governo dos Estados Unidos introduziu em 1943, e que ajudou a alimentar o mito de Rosie, estava longe de exaltar a capacidade da mulher. "Claro, durante a Guerra as mulheres foram encorajadas a se juntar à força de trabalho, mas com o entendimento de que abdicariam suas postagens logo que os soldados retornassem", afirma Stephanie Buck.

Foto: Divulgação