Votação da PEC do aborto acontece nesta quarta

Proposta que deveria ser votada ontem (5) acabou adiada novamente

Publicado em 06/12/2017
Mulheres com cartazes contra a descriminalização do abordo

A comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 181), conhecida como PEC do aborto ou Presente de Grego, adiou novamente a votação para modificações em trechos do texto. A sessão, que aconteceu nesta terça-feira (5), destinada a proferir parecer sobre a medida acabou sem conclusões, sendo os deputados convocados para Reunião Ordinária de votação dos destaques da PEC para esta quarta-feira (6). 

A PEC 181 tem causado revolta, pois prevê a proibição do aborto no Brasil até mesmo nos casos atualmente permitidos por lei, como estupro, anencefalia do feto e até risco de morte da mãe. 

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"O que nós estamos vivendo nessa comissão é uma verdadeira fraude. Nós vivemos em um país em que muitas mulheres são estupradas, violentadas e recorrem ao aborto. O absolutismo medieval se sentou nesta cadeira", disse a deputada Erika Kokay (PT) se referindo a Evandro Gussi (PV), que conduzia a sessão.

Também contrária à PEC, Jandira Feghali (PCdoB) completou argumentando que a proibição do aborto atingiria as mulheres mais pobres:

"Eu sou médica de formação, meu compromisso profissional antes de tudo é com a vida. Todos nós sabemos que se as mulheres dos senhores deputados precisar de um aborto, elas irão a clínicas e poderão pagar pelo procedimento. As mulheres pobres não, elas que morrem e vão continuar morrendo com essa proibição", afirmou Jandira.

Diariamente, 4 mulheres morrem por complicações do aborto 

No Brasil, o aborto clandestino é uma das principais causas de morte materna. Segundo dados de 2016 do Ministério da Saúde, diariamente, quatro mulheres morrem em hospitais do país por conta de complicações do aborto. Foram mais de 124 mil internações por consequência da interrupção da gravidez.

Foto: Reprodução/Pinterest