TIME elege vítimas de assédio como personalidades do ano

Escolha foi para pessoas que quebraram o silêncio, famosas ou não

Publicado em 06/12/2017
Funcionárias do Hotel Plaza, de Nova Iorque

"The silence breakers" (ou "os quebradores do silêncio" em português) é o nome que os eleitos como personalidades do ano receberam pela revista TIME. "As vozes que lançaram um movimento" é o subtítulo da capa mais aguardada do ano da publicação, estampada por mulheres de diferentes frentes do mercado de trabalho que, entre outras milhares de pessoas ao redor do mundo, também contribuíram para que essa revolução pudesse começar: a atriz Ashley Judd, a cantora Taylor Swift, a lavradora Isabel Pascual, a lobista Adama Iwu e a ex-engenheira do Uber Susan Fowler.

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"As mulheres e os homens que quebraram seu silêncio abrangem todas as raças, todas as classes de renda, todas as ocupações e praticamente todos os cantos do globo. Eles podem trabalhar nos campos da Califórnia, ou atrás da recepção no Plaza da cidade de Nova York [foto], ou no Parlamento Europeu. Fazem parte de um movimento que não possui um nome formal. Mas agora eles têm uma voz", descreve um trecho da reportagem da TIME que apresenta as personalidades do ano, publicada nesta quarta-feira (6).

Após as denúncias de cada um deles, mudanças foram acontecendo. Poderosos perderam - ou se afastaram - de cargos de prestígio enquanto as vozes das vítimas ganharam espaço e força. "Por nos empurrar para deixar de aceitar o inaceitável os Silence Breakers são as Personalidades do Ano de 2017", escreveu o editor-chefe da TIME Edward Felsenthal em artigo publicado com a revelação da capa.

Lembre a luta de algumas dessas personalidades:

Taylor Swift

 

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A cantora Taylor Swift calou a boca dos assediadores esse ano pedindo apenas 1 dólar como recompensa pelo processo ganho contra o radialista David Mueller. Ele, que pedia 3 milhões de dólares por danos e prejuízos alegando que a denúncia de Taylor era falsa, foi declarado culpado pelo júri promovido em agosto. O dinheiro pedido pela artista foi simbólico mostrando que a luta dos direitos das mulheres é o que tem verdadeiro valor.

No Instagram, a TIME publicou uma foto da cantora com um trecho da entrevista dela à reportagem para a edição especial. "Você não deve ser culpado por esperar 15 minutos ou 15 dias ou 15 anos para denunciar uma agressão sexual ou um assédio". O assédio que ela sofreu de Mueller, que levantou a saia dela e a apalpou, aconteceu em 2013.

Ashley Judd

 

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Ashley Judd foi a primeira atriz que quebrou o silêncio publicamente contra o produtor de cinema Harvey Weinstein. Ela revelou que, ainda em 1997, aos 29 anos, foi assediada por ele, que tentou levá-la para a cama durante uma suposta reunião de trabalho.

À TIME, ela disse que não se calou desde que conseguiu escapar do quarto, contando primeiramente ao seu pai, que a esperava no saguão do hotel, o que tinha acontecido. Depois, falou sobre o caso a profissionais de Hollywood, que lhe disseram que o comportamento do magnata era um "segredo aberto". 

Já em outubro, ela decidiu falar novamente: desta vez ao New York Times. O resultado foi o encorajamento para denúncias de mais mulheres que foram assediadas por Weinstein, a demissão dele da sua própria companhia, a The Weinstein Company, e uma investigação policial que vem "avançando", segundo palavras do detetive-chefe da Polícia de Nova York emitidas em comunicado nos últimos dias.

"Todas essas vozes podem ser amplificadas. Esse é o meu conselho para as mulheres. Quando e se alguma coisa parece errada é errada - e é errada pela minha definição e não necessariamente pela dos outros", disse a atriz à revista. Após a denúncia, Weinstein afirmou que nunca encostou em Ashley.

Susan Fowler

 

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Engenheira, a ex-funcionária da Uber Susan Fowler denunciou ninguém menos que o então CEO da empresa, Travis Kalanick, de assédio. Resultado? Kalanick e mais 20 funcionários foram colocados para fora, todos com base em investigações movidas por outras 215 denúncias que vieram à tona após Susan quebrar o silêncio.

"É a coisa certa a se fazer. É uma honra dizer que eu falei sobre isso", declarou Susan à TIME, como consta na imagem dela divulgada no Instagram da revista junto a de outras vítimas. 

Mais personalidades compõem os 'The silence breakers'

Além das mulheres que estampam a capa da TIME, a publicação elegeu como personalidades do ano mais diversos nomes, que também trouxeram casos de assédio à tona, inclusive homens. Alyssa Milano - criadora da hashtag de denúncia #MeToo que ganhou as redes sociais - Rose McGowan, Selma Blair e Terry Crews são alguns deles.

Foto: Divulgação/Instagram TIME