Tifanny se destaca na Superliga feminina de vôlei

Contudo, atuação da jogadora trans gera questionamentos

Publicado em 22/01/2018
Tifanny em quadra

Primeira transexual a atuar na Superliga feminina de vôlei, a ponteira/oposta Tifanny Abreu vem se destacando a cada partida na principal competição brasileira da modalidade. Até o último jogo de sua equipe, o Vôlei Bauru, disputado em 12 de janeiro pela quarta rodada, a atleta acumula um total de 115 pontos em cinco partidas, o que garante uma média incrível de 23 pontos por jogo.

A pontuação é maior até mesmo que a de Tandara Caixeta, principal atacante da seleção brasileira, que conta com uma média de 20 pontos por partida, totalizando 281 em 14 jogos. Mais um destaque é que, das cinco partidas disputadas pelo Bauru desde a entrada de Tifanny, foram três vitórias, uma média que dobrou na equipe.

A atleta, que virou um marco de representatividade no esporte, levou ainda para casa o Troféu Viva Vôlei, em dezembro do ano passado, o primeiro de sua carreira, pelo destaque na atuação contra o Pinheiros ainda na primeira rodada da Superliga.

FIVB estuda novamente regras para atletas trans

Apesar do grande sucesso, o desempenho de Tifanny vem sendo questionado por autoridades esportivas. Tanto é que, nesta quinta-feira (24), a comissão médica da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) discute na sede da entidade, na Suíça, a presença de atletas trans no esporte.

De acordo com informações da Folha de S.Paulo, no encontro, o médico brasileiro Bruno Borges, um dos integrantes da junta, deve sugerir um "controle mais rígido e diminuição do nível de testosterona no sangue para a liberação destas atletas". 

Tifanny, que começou a transição de sexo em 2013, é devidamente regularizada junto à Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) para atuar entre as mulheres. E, desde o início de 2017, ela recebeu a permissão da FIVB para competir profissionalmente em ligas femininas.

Confira os vídeos do Bar de Batom no YouTube

Mas, sua grande força gera discussão, inclusive entre outras atletas ouvidas pelo jornal. Contudo, suas colegas de time defendem sua atuação, afirmando que não há grandes diferenças às outras jogadoras.

Em entrevista ao Bar de Batom em dezembro do ano passado, Tifanny afirmou que não se sente diferente de nenhuma outra jogadora em quadra. "Eu não me sinto especial ou melhor que as outras meninas jogadoras - me trato como uma atleta normal", afirmou. 

Na ocasião, ela ainda destacou os questionamentos das pessoas quanto à atuação de pessoas trans no esporte. "Muita gente fala 'ah, mas o corpo masculino tem o osso mais grosso, maior'. Se tem o osso maior é até pior, porque a pessoa vai ficar mais pesada, assim como com hormônio, meu filho! Então, não adianta tentar achar um argumento, que não é você que vai mudar isso. Não são as pessoas de fora que devem decidir se podemos jogar ou não, é quem realmente sabe do assunto, é a ciência. No dia que o COI mudar, aí temos que aceitar e seguir". 

Foto: Reprodução/Instagram Tifanny Abreu