Saiba identificar anorexia em pessoas próximas

'O Mínimo Para Viver', da Netflix, levanta novamente a discussão sobre o tema

Publicado em 04/08/2017
Saiba identificar anorexia em pessoas próximas

Com seus padrões estereotipados de beleza, a grande mídia muitas vezes pode ser considerada uma das principais responsáveis por despertar distúrbios relacionados à alimentação, como a anorexia. Com suas regras de beleza, muitas vezes acaba induzindo as pessoas a pensar que serão felizes somente caso se submetam a esses conceitos, mas a realidade é bem diferente.

Contudo, se por um lado esse veículos desenvolvem esse tipo de conflito, por outro eles também se preocupam em produzir conteúdos que provocam debates e atraem mais olhares para o tema, como é o caso do recente filme lançado pela Netflix, To The Bone (O Mínimo Para Viver), onde a protagonista, interpretada pela atriz Lily Collins, sofre de anorexia nervosa.

O transtorno alimentar faz com que a pessoa enxergue o próprio corpo de maneira distorcida, passando a ter atitudes de risco como dietas restritivas, abuso de exercícios físicos, indução de vômito e até mesmo uso de laxantes. O problema pode afetar qualquer faixa etária ou gênero, mas é mais comum em mulheres jovens.

Jéssica Amorim, nutricionista da Clínica de Nutrição da Universidade Guarulhos (UNG), explica que o transtorno alimentar não pode ser confundido com uma alimentação saudável. "As pessoas que chegam nessa situação alegam que só estão buscando ser saudáveis, porém, na realidade, além de possuírem uma percepção corporal distorcida, elas não encaram a comida como algo bom", afirma.

Sinais comportamentais

Anorexia remédios

De acordo com Marilucia Vacchiano, psicóloga e psicanalista, é possível notar algumas alterações comportamentais em pessoas que buscam desenfreadamente a magreza excessiva: 

  • Enxerga-se gorda;
  • Muito focada no peso e recusa-se a admitir a gravidade da perda de peso; 
  • Não menstrua por três ou mais ciclos; 
  • Recusa-se manter o peso que é considerado normal; 
  • Faz exercícios com intensidade; 
  • Corta a comida em pedaços pequenos e fica movendo-os no prato em vez de comê-los; 
  • Vai ao banheiro imediatamente após as refeições;
  • Recusa-se a comer perto de outras pessoas;
  • Faz uso de diuréticos, laxantes ou inibidores de apetite.

Sinais físicos

Anorexia depressão

Ainda segundo a psicóloga, alguns aspectos físicos também são perceptíveis: 

  • Pele manchada e seca; 
  • Pensamento lento ou confuso;
  • Memória ou julgamento deficientes; 
  • Depressão; 
  • Boca seca; 
  • Sensação de muito frio; 
  • Usa muita roupa para se aquecer; 
  • Perda de resistência óssea; 
  • Desgaste dos músculos;
  • Perda de gordura corporal.

Tratamento

Após a identificação dos sintomas, a primeira medida é procurar ajuda profissional. De acordo com a nutricionista, é primordial que a família não julgue ou obrigue a pessoa a comer, e que evite falar sobre comida de forma pejorativa. É preciso demonstrar empatia e deixar claro que sempre estará disponível para conversar e, principalmente, que a pessoa tem com quem contar.

As especialistas também indicam a busca por uma equipe multidisciplinar, composta por médico psiquiatra, nutricionista, psicólogo e ainda por um educador físico ou fisioterapeuta, pois alguns pacientes ficam tão debilitados fisicamente que precisam fazer movimentos ou exercícios específicos.

É importante lembrar que levará certo tempo para a normalização da condição. O tratamento será feito a longo prazo, já que, de acordo com Jéssica, é preciso dar outro significado para muitos aspectos e tratar o gatilho que resultou em tal perturbação. No âmbito alimentar, é necessário reintroduzir determinados alimentos, auxiliar com suplementação e em casos mais graves até mesmo utilizar a nutrição enteral ou parenteral, com o auxílio de aparelhos. 

"As pessoas precisam entender que não é necessário fazer 'dieta', se privar, sofrer e com isso desenvolver neuras. Nem todas essas dietas levam a um transtorno alimentar, porém todo transtorno inicia-se com uma dieta, afirma Sophie Deram, uma pesquisadora sobre transtornos alimentares que admiro muito. O tratamento precisa ser integrativo, uma abordagem sem julgamentos, mas com entendimentos e que atue diretamente no tratamento efetivo", finaliza a nutricionista.

Por Natália Lins

Fotos: Divulgação