Principais sintomas da depressão pós-parto

Causas e tratamento precisam ser discutidos abertamente com os familiares

Publicado em 16/10/2018
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Foto: Shutterstock.com

A depressão pós-parto é mais frequente do que parece. Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que, a cada quatro mães brasileiras, uma pode ter a doença, resultando em cerca de dois milhões de casos ao ano.

No entanto, muitas mulheres evitam falar sobre o tema, com receio de que sejam consideradas frágeis e incapazes. Também é importante conhecer as causas, sintomas e formas de tratamento da depressão pós-parto, para que esse assunto seja abordado e enfrentado com naturalidade.

Principais causas e sintomas

O processo de gravidez pode ser estressante e invariavelmente implica em falta de sono, má alimentação e desequilíbrio hormonal. Quanto maiores as dificuldades encontradas na condução desse processo, maiores as chances de ocorrência da depressão pós-parto.

Dentre os principais sintomas, a mulher tem insônia, pouca motivação e energia, ansiedade, sentimento de culpa, menor concentração, irritabilidade e crises de choro. A paciente pode relatar pensamentos negativos e dificuldade para estabelecer vínculos com o recém-nascido. Ao apresentar alguns desses indícios, um médico deve ser procurado imediatamente.

Alterações hormonais afetam diretamente o metabolismo e o sistema imunológico, deixando o organismo da mulher mais vulnerável. Um histórico familiar de doenças psicológicas contribui para a ocorrência da depressão pós-parto que, em frequência bem menor, também pode ser diagnosticada em homens.

Baby blues e psicose pós-parto

Antes de começar o tratamento, é importante solicitar ao médico que diferencie a depressão pós-parto da baby blues. Essa é a expressão utilizada para sintetizar as mudanças de humor e ânimo logo após o parto. Com duração de poucas semanas e em menor intensidade, a baby blues é uma etapa de melancolia considerada normal. É o acréscimo de outros sintomas e também a duração dos mesmos que indicam a depressão pós-parto.

Um estágio mais raro e avançado da doença é a psicose pós-parto, onde a mulher tem os mesmos sintomas, mas também pode sentir os pensamentos desorganizados e sofrer alucinações. Nesse caso, um médico deve ser procurado o mais rápido possível.

Tratamento inclui medicação e cuidados

Feito de forma correta, o tratamento dura alguns meses. É muito importante ter o apoio da família nesse momento, acompanhando de perto as mudanças emocionais e tranquilizando a paciente. O tratamento pode incluir reposição hormonal, remédios antidepressivos e terapia. Também é recomendável adotar um estilo de vida saudável, com exercícios, boa alimentação e descanso adequado.

O acompanhamento médico contínuo pode ser recomendado, e mulheres com a depressão pós-parto tendem a ter novamente a depressão em outra etapa, inclusive em um novo processo de gestação.

É importante que todos os familiares conversem abertamente sobre o tema, levando a sério a depressão pós-parto e motivando o paciente durante o tratamento. As mulheres não devem sentir vergonha de conversar e pedir apoio nesse processo. Em pouco tempo, a mãe poderá aproveitar o seu bebê e curtir a maternidade de uma forma tranquila.