Pinacoteca recebe mostra "Mulheres Radicais"

Exposição mapeia artistas latinas das décadas de 1960 e 1980

Publicado em 20/08/2018
9 imagem de preto e branco  da artista Lenora de Barros que mostra ela escovando os dentes

Com mais de 280 trabalhos de 120 artistas, a exposição Mulheres Radicais leva para a Pinacoteca de São Paulo um recorte sobre a produção artística feminina da América Latina entre 1960 e 1985. Para tentar resgatar essas histórias, uma dupla de curadoras - a venezuelana Cecilia Fajardo-Hill e a argentina Andrea Giunta - levou cerca de oito anos para mapear e catalogar a produção dessas mulheres. O resultado é uma exposição cheia de vigor e inspiradora, que faz a sua estreia no Brasil após passar pelo Hammer Museum, de Los Angeles, e também pelo Brooklyn Museum, ambos nos EUA.

O recorte abrange um período decisivo na construção da arte contemporânea e na representação do corpo feminino. Nessas décadas, artistas pioneiras desenvolveram investigações que desafiaram as classificações dominantes a partir do entendimento do corpo como campo político. "Começamos com o plano de falar sobre o pós-guerra, mas tínhamos mais de 400 artistas, então decidimos focar num tema principal. Decidimos focar no corpo, mas não cronologicamente, queríamos encontrar preocupações em comum”, comenta Hill, em entrevista ao site do jornal Estadão. 

Para ilustrar, mais de 120 artistas foram selecionadas, principalmente as brasileiras, como Lygia Clark e Lygia Pape, mas o número de descobertas é gigantesco. Entre elas, constam na mostra algumas das artistas mais influentes do século XX - como Cecilia Vicuña, Ana Mendieta, Anna Maria Maiolino, Beatriz Gonzalez e Marta Minujín - ao lado de nomes menos conhecidos - como a artista mexicana Maria Eugenia Chellet, a escultora colombiana Feliza Bursztyn e as brasileiras Leticia Parente, uma das pioneiras da vídeoarte, e Teresinha Soares, escultora e pintora mineira que vem recebendo atenção internacional recentemente.

As curadoras contactaram pesquisadores em diversos países, conversaram com artistas da época, e descobriram nomes que haviam sido esquecidos. “Todas elas são importantes. Não acreditamos em hierarquia. Se ela dedicou uma parte da sua vida à arte, merece estar nos livros”, afirma Hill.

O Brasil será o único país latino a receber a exposição, por conta do alto custo e também pela fragilidade das obras. Além da inclusão de mais artistas brasileiras, a mostra na Pinacoteca contou também com o auxílio da curadora-chefe da instituição, Valéria Piccoli. “Pensamos a programação deste ano para trazer as mulheres à tona”, afirma.

Com dois trabalhos na exposição, a artista paulista Lenora de Barros (foto de capa) se diz honrada. “Fico feliz de estar ao lado dessas artistas. A mostra tem uma importância grande.”

"Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985" fica em cartaz na Pinacoteca do Estado (Praça da Luz, 2) até 19 de novembro. A exposição é aberta de 4ª a 2ª, das 10h às 18h. O valor do ingresso é de R$ 6 - aos sábados a entrada é gratuita. 

Foto: Divulgação/Lenora de Barros