Opinião|Engravidar não é mais prioridade aos 30, nem aos 35

Mulheres estão adiando a chegada do 1° filho, e decisão traz vantagens

Publicado em 28/07/2017
Engravidar não é mais prioridade aos 30, nem aos 35

Eu, como muitas mulheres da minha geração, não fui criada para ser mãe. Cresci sob os cuidados de uma mulher jovem e solteira, que me lembrava todos os dias que era preciso estudar, trabalhar, viajar e adquirir independência. Hoje, aos 30 anos, eu me casei, construí uma carreira e decidi conhecer o mundo.  E quanto mais o tempo passa, mais eu me entusiasmo com a ideia de me tornar mãe mais madura. Penso que, além de estar mais preparada financeiramente e emocionalmente, conseguirei aproveitar a minha rotina familiar sem culpa ou nostalgias - evitando tantos sofrimentos. E apesar de todas as alegrias que uma criança traz à vida de uma família, quando uma mulher pode escolher quando e como quer ter o seu primeiro filho, o sentimento é libertador.

Esse não é um fenômeno isolado. Segundo recentes dados do IBGE, as mulheres estão postergando a maternidade cada vez mais. Há dez anos, um total de 27,6% mulheres que deram à luz tinham mais de 30 anos. Hoje, o percentual chega a 31,3%. Esses números tendem a aumentar, uma vez que o estado não garante um planejamento familiar eficiente, com vagas em creches, escolas, segurança, saúde e apoio às mulheres que desejam voltar ao mercado de trabalho. Ou seja, este não é somente um drama burguês. 

Além da parte emocional, profissional e econômica, existe outro fator que contribui para uma gestação tardia: a medicina. Uma mulher de meia idade tem disposição e saúde superiores a qualquer outra representante feminina da mesma idade nas décadas de 1950 e 1960. A agência de marketing britânica SuperHuman  fez um estudo com 500 mulheres, publicado no jornal britânico Daily Telegraph, e constatou que mulheres de 40 a 50 anos têm algo muito relevante em comum: 67% se consideram em sua plenitude de vida, ou seja, se sentem jovens e não se encaixam no clichê da meia idade. Essa manifestação tem um nome: ageless generation, termo em inglês que significa "geração sem idade". 

Um termo que é visivelmente percebido entre as estrelas de Hollywood, por exemplo, que nunca parecem envelhecer, conservam um estilo de vida saudável e têm muita disposição. Coincidentemente, muitas também decidiram investir na maternidade tardia, com ajuda ou não da medicina. Uma Thurman foi mãe aos 42; Nicole Kidman ganhou o seu primeiro filho aos 40 e o segundo quando já havia completado 42. Sem mencionar outras mulheres que resolveram ter os seus filhos aos 50 e 60 anos. 

Apesar de casos extremos e distantes, no Brasil a gravidez entre os 35 e 40 (ou até alguns anos acima) é um fato, embora alguns médicos e a sociedade em geral ainda tenham objeções. Mas é um fenômeno que não se pode ignorar e, na época em que vivemos, não tem por que ser uma má ideia. Existem inúmeros avanços no tratamento de fertilidade e a medicina está cada vez mais preparada para acompanhar individualmente cada caso. Sem contar os benefícios psicológicos para uma mulher e, consequentemente, para o bebê, quando o casal tem a oportunidade e condição de planejar a chegada dos filhos. 

Por Mayhara Nogueira