Opinião do Bar | Você tem medo de quê?

Brincadeira ou não, as aparições de palhaços pelo mundo têm causado pânico

Publicado em 14/10/2016
Opinião do Bar | Você tem medo de quê?

Por Natália Lins

Diversos relatos de medonhos palhaços aterrorizando pessoas em cidades dos Estados Unidos têm surgido em sites de notícias e nas redes sociais. Aparentemente, eles não fazem nenhum tipo de ataque (exceto o de nervos), apenas surgem e ficam em silêncio, com se isso não fosse suficientemente assustador. A grande dúvida é se isso faz parte de uma campanha publicitária, uma brincadeira de mau gosto ou uma ameaça real.

Brincadeira ou não, a situação está causando pânico em muitas pessoas, principalmente naquelas que sofrem de Coulrofobia, termo psiquiátrico usado para quem tem medo de palhaços. Por mais que essa criatura tenha sido elaborada para ser engraçada, muitas vezes acaba transmitindo uma sensação de medo ou tensão e se torna algo verdadeiramente horripilante. Isso normalmente vem desde a infância, quando crianças se assustam com a comunicação e maquiagem exagerada ou com a abordagem incisiva de muitos deles.

Outro agravante para o problema são as redes sociais. Como são veículos que não possuem filtro e são fáceis de disseminar informações, o problema acaba se tornando muito maior do que realmente poderia ser.

Palhaço, acidente, catástrofe natural, altura, desemprego, rejeição, morte, câncer, o que não falta são motivos para sentir medo. E ao que parece, isso vem aumentando, tendo em vista a quantidade de pessoas com algum transtorno de ansiedade - que é a antecipação do medo, além do aumento de situações que estimulam esse sentimento.

Todos os dias os noticiários apresentam diversos casos violentos, mortes, doenças incuráveis e por aí vai. É claro que esse tipo de informação vende mais, e se propaga muito mais rápido também. Tudo é muito bem selecionado com a finalidade de chamar a sua atenção, e aquilo que assusta e impressiona é o que mais irá te atrair. Isso não acontece só com notícias, mas com anunciantes também. Empresas de seguro, por exemplo, utilizam desse argumento para convencer você a fechar um contrato.

Outro medo que tem aumentado visivelmente é o da aceitação. Você pode até pensar: "eu não ligo para oque os outros pensam, eu faço o que eu quero e se quiserem que me aceitem assim". Mas no fundo isso não é verdade. Quantas vezes você já não postou algo nas redes sociais e ficou esperando para ver quantas curtidas e comentários ia gerar? Essa cobrança por estar o tempo todo ativamente conectado também aumenta a ansiedade e causa o medo de não ser aceito entre os demais.

Procurar ajuda de um profissional pode ser uma saída. Psicanálise e terapias holísticas costumam ser muito eficientes no combate as fobias. O ponto mais importante a ser considerado ao procurar algum tipo de tratamento é saber qual a origem do problema. Não basta tomar um remédio para ficar mais calmo se você não identificou o que provoca o mal-estar. Para chegar a essa conclusão é preciso fazer uma verdadeira auto-análise.

Sentir medo não é sinal de fraqueza, afinal, se nossos antepassados não tivesse fugido de tantos perigos, não estaríamos aqui hoje. Um mundo feito de pessoas totalmente destemidas seria ainda mais abalado pela violência e pela intolerância. O que deve ser avaliado é o limite dessas sensações, se elas estão impedindo de prosseguir com tarefas que deveriam ser consideradas simples. Mas uma coisa é certa: não tenha medo de sentir medo, está tudo bem. É sério!