Opinião do Bar | Retrospectiva Feminina de 2016

Ano foi cheio de altos e baixos para as mulheres

Publicado em 22/12/2016
Opinião do Bar | Retrospectiva Feminina de 2016

12 meses, 52 semanas, 366 dias, 8.784 horas, 527.040 minutos... 2016 pareceu infinito, não? Entre tantos momentos, parece que esse ano foi marcado pelas mulheres. 2016 foi um ano surpreendente, em diversos sentidos, e momento histórico para muitas delas. Confira a seguir uma retrospectiva dos fatos que mais se destacaram ao longo do ano.

Impossível falar de 2016 sem nos lembrarmos das Olimpíadas do Rio. Mulheres nadaram, pularam, lutaram, velejaram, correram e desafiaram os próprios limites físicos e psicológicos para conseguir um lugar no pódio. Algumas chegaram no topo, outras não, mas o que importou mesmo foi o esforço físico da categoria feminina, e mostrar medalha depende da determinação, não do gênero. Rafaela Silva, Mayra Aguiar, Poliana Okimoto, Simone Biles, Katinka Hosszú e outros destaques deram show e mostraram o que é empoderamento feminino.

Mulheres deram passos feministas nesse ano: o STF descriminalizou o aborto até o terceiro mês de gestação em Duque de Caxias-RS, mulheres tornaram-se destaque no sertanejo universitário, modelos plus size estrelaram editoriais em revistas (e sem edição em seu corpo), desconstruíram padrões de beleza em mídias e mostraram que o feminismo não é o contrário de machismo. Apesar das (pequenas) conquistas, ainda estamos engatinhando no espaço social e esse está turbulento.

Em 2016, mulheres tiveram suas vidas interrompidas. Foram brutalmente mortas sob diferentes afirmações dos criminosos, já que tinham internalizado o sentimento de posse sobre a mulher, controle sobre o corpo feminino, desejo e autonomia, limitação da emancipação profissional, econômica, social ou intelectual, como citado nas Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de Gênero as Mortes Violentas de Mulheres – Feminicídios, divulgada em abril deste ano. Esse dado coloca o Brasil na quinta posição entre os países com maiores taxas de feminicídio, chegando a 13 mortes por dia, ou seja, uma morte a cada 1-2 horas.

Em agosto, vimos o impeachment de Dilma Rousseff, nossa primeira presidente mulher. Precisando se retirar, Temer assumiu o cargo, causando desagrado em parte da população. Em outubro, Hillary foi derrotada, mesmo com milhares de pessoas a apoiando, pelo machista e misógino Trump. 

Mesmo com movimentos feministas e mensagens de conscientização de igualdade de gêneros em diferentes meios – televisão, mídias, ruas – vimos escancaradamente atitudes machistas na competição culinária MasterChef Profissionais. Candidatos subestimando a capacidade feminina e “mandando varrer” a cozinha mostraram que temos que caminhar muito ainda.

E mesmo em meio ao caos de 2016, ainda temos esperança na igualdade de gêneros e em um mundo sem mulheres morrendo por serem mulheres. Durante o evento Women In Music 2016, Madonna foi escolhida pela revista americana Billboard como a Mulher do Ano. Ao receber o prêmio, fez um discurso incrível e muito empoderador - será que isso seria um recado para as 2017? "O que eu gostaria de dizer para todas as que estão aqui hoje é: mulheres têm sido oprimidas por tanto tempo que elas acreditam no que os homens falam sobre elas. Elas acreditam que precisam apoiar um homem.(...) Como mulheres, nós temos que começar a apreciar nosso próprio mérito. Procurem mulheres fortes para que sejam amigas, para que sejam aliadas, para aprender com elas, que as inspirem, apoiem e instruam”.

Por Juliana Gallinari