Precisamos falar sobre sustentabilidade e hábitos de consumo

Esse não é um artigo sobre tendências, mas um novo conceito de moda

Publicado em 16/12/2016
Precisamos falar sobre sustentabilidade e hábitos de consumo

Qual é a última cor de camiseta que está na moda? Você comprou o próximo sapato que vai virar febre no street style? Bem, essas entre outras perguntas estão na maioria das matérias sobre tendências. No entanto, não sei se você tem reparado, mas juntamente com tantas dicas de estilo e de compras, a mídia também tem reservado um espaço especial para questionamento sobre hábitos de consumo e sustentabilidade. Neste ano, em especial, algo mudou. Viramos a chave de uma vez por todas. A moda como conhecíamos chegou ao fim.

No ano de 2016, o minimalismo, com a sua emblemática máxima "menos é mais", o slowlifestyle e a filosofia "lowsumerism" (consciência em relação ao consumo) estiveram em voga. Não é à toa que fazer compras loucamente como se não houvesse amanhã nunca esteve tão fora de moda.

Para acompanhar o pensamento, recentemente o livro Moda com Propósito, de André Carvalhal, chegou às bancas. O autor nos mostra que as mudanças da moda estão muito além das roupas: envolvem todas as esferas da existência. O instinto de comprar pelo comprar, para acumular ou para "ficar na moda", foi substituído por empatia e colaboração.

Prova disso foi a reviravolta realizada pelas marcas, a fim de acompanhar esse novo momento do mercado e consequentemente um novo consumidor que vem surgindo, mais consciente. Vivienne Westwood, por exemplo, produziu recentemente, pela 3ª vez, uma coleção de bolsas em Nairóbi (capital do Quênia). Ela tinha o objetivo de ajudar centenas de mulheres em situação de pobreza, de comunidades marginalizadas. Todos os modelos foram criados usando tecidos de reuso, painéis de estrada, cortes de couro e latão reciclado.

Num âmbito mais popular, a C&A também se comprometeu a criar moda sustentável no próximo ano. Até 2020, a marca passará a trabalhar apenas com tipos de algodão mais sustentáveis em suas produções, além de gerir quatro grandes projetos com o foco em upcycling - processo de transformar resíduos em novos produtos - e capacitação de profissionais.

Não podemos deixar de citar também as inúmeras startups que estão surgindo a fim de trazer alternativas de consumo consciente. Moda Limpa, por exemplo, é uma plataforma colaborativa repleta de marcas sustentáveis. O legal é que você pode filtrar a sua busca, procurando por grupos vulneráveis, fornecedores veganos, de zero desperdício, de orgânicos, feitos no Brasil, reciclados, biodegradáveis, entre outros. Também existe o aplicativo The Squirrelz, destinado a pessoas que desejam comprar sobras de tecidos de marcas e estilistas só pelo valor do frete.

O surgimento de novas iniciativas e a divulgação dessa transformação social são passos extremamente importantes para a disseminação de um estilo de vida com mais propósito e profundidade. Estamos acompanhando o nascimento de um novo momento, em que cada escolha, para o bem ou para o mal, virá carregada de muita responsabilidade e reflexão.

Por Mayhara Nogueira