Opinião | Mulheres ganham menos e os dados comprovam

Elas ainda se dedicam menos às suas carreiras e mantêm dupla jornada

Publicado em 29/06/2017
Opinião do Bar | Mulheres ganham menos e os dados comprovam

A disparidade salarial entre homens e mulheres precisa ser discutida sempre que houver oportunidade. Recentemente, esse assunto entrou em voga após rumores (mais tarde desmentidos) de que Gal Gadot tivesse recebido em Mulher-Maravilha um cachê 46 vezes menor comparado ao de Henry Cavill por sua atuação como Superman no filme Homem de Aço (US$ 300 mil contra US$ 14 milhões).

Já no Brasil, a diferença salarial se tornou notícia depois que o país ganhou o Leão de prata no Cannes Lions - Festival Internacional de Criatividade pela campanha #MaisQue70. Encabeçada pela Associação AzMina, a peça tinha como objetivo protestar sobre o fato das mulheres receberem, em média, 70% do salário do homens, pelo mesmo trabalho oferecido.

Apesar de inúmeros protestos e reivindicações, há quem ainda recuse os argumentos ou simplesmente desclassifique a situação. Por isso, é de extrema importância apresentar dados que contribuam para a discussão e, consequentemente, para a mudança deste cenário.

Segundo uma pesquisa da Catho divulgada em março deste ano, que avaliou oito funções, foi comprovado que as mulheres ganham menos do que os homens em todas as funções analisadas: em cargos operacionais a diferença entre os salários chega a 58%; especialista graduado é de 51,4%; especialista técnico, 47,3%; coordenação, gerência e diretoria, 46,7%; supervisor e encarregado, 28,1%; analista, 20,4%, trainee e estagiário, 16,4%, e assistente e auxiliar, 9%.

Os últimos dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE, de 2015, corroboram com a disparidade salarial nos cargos de gerência ou direção. O salário médio das mulheres é equivale a 68% do valor pago aos homens. Em 2005 era de 71%. Uma mudança que pode ser considerada ínfima em 12 anos.

Essa diferença entre os gêneros também pode ser observada na análise da renda da população. A renda média nacional do brasileiro é de R$ 2.043, mas os homens ganham, em média, R$ 2.251, enquanto elas recebem apenas R$ 1.762.

Além das diferenças salariais, os trabalhos informais - e consequentemente a redução de carga horária - também afetam a renda mensal da mulher. No total, a jornada feminina é de 34,9 horas semanais, contra 40,08 dos homens. E esse período aumenta quando somados os serviços domésticos, problematizando ainda mais a situação: 55,1 horas semanais para as mulheres e 50,5 para os homens.

No final das contas, grande parcela das mulheres brasileiras ganham menos, se dedicam parcialmente às suas carreiras e trabalham mais. Uma situação que só será realmente modificada com mais discussões e informações sobre o assunto.

Por Mayhara Nogueira

Foto: Divulgação