Opinião do Bar | Lugar de mulher é onde ela quiser

Episódios machistas continuam acontecendo no ambiente profissional

Publicado em 25/11/2016
Opinião do Bar | Lugar de mulher é onde ela quiser

Infelizmente, o machismo ainda está muito presente nas profissões, sejam elas intelectuais ou braçais. O programa MasterChef, exibido na Band, tem um participante bastante desagradável: o machismo. Dois episódios seguidos foram palco para ataques às mulheres, em um deles, a candidata Dayse foi ignorada em uma prova em equipe e o candidato Ivo a mandou varrer o chão, e na seguinte a candidata eliminada Fádia declara que ser mulher no ramo da gastronomia é “muito mais” difícil.

Inevitavelmente, pessoas tem opiniões diferentes e isso torna-se um problema quando fere – física e mentalmente – outro indivíduo. Desde o século XIX, o feminismo vem lutando pela igualdade de direitos entre homens e mulheres nas áreas social e política. Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, não buscamos nos sobressairmos sobre os homens – o que se chamaria “femismo” –, muito pelo contrário, nós acreditamos que cada ser humano tem suas capacidades e limites, não sendo tais determinados pelo gênero.

Mesmo com tantos movimentos de empoderamento, pedidos de direitos iguais aos gêneros, ainda há pessoas que não entendem o motivo do feminismo, criando estereótipos em relação às ativistas e até mesmo taxando o movimento de esquerdista – o associando diretamente à política –, sendo que o exigido é igualdade em todos os campos, colocando a mulher em posição igual ao homem, e a quebra do paradigma de que os gêneros condicionam as pessoas de modos diferentes.

MasterChef foi um exemplo de machismo descarado na televisão brasileira, ressaltando e provando que há sim essa prática no meio de trabalho. Não só na cozinha, mas em todas as áreas. Por qual razão um homem poderia ser superior intelectualmente ou fisicamente para exercer uma profissão?

Muitas de nós sabemos (e sentimos na pele) que há trabalhos que são tachados de “masculinos” e “femininos”, pois colocam em vigor o pensamento opressor em todos os setores. Deixem as mulheres serem cozinheiras, pedreiras, motoristas, advogadas, médicas, jornalistas, arquitetas, lixeiras ou engenheiras. Deixem os homens serem cabeleireiros, dentistas, relações públicas, dançarinos ou maquiadores.

Após milhares de anos com as mulheres em posição inferior à dos homens, o mundo precisa de uma reinvenção para que as pessoas estejam abertas a novas possibilidades e mais igualdade. Ignorar o feminismo (em qualquer ambiente) é apoiar a diferença de gêneros, os inúmeros casos de abuso e opressão. Aceitar os estereótipos profissionais é afirmar, mais uma vez, que estamos engessados em padrões. Precisamos mudar.

O feminismo está aí para provar que capacidade física e mental não depende de sexo, cor ou religião. Se alguém do gênero masculino pode, o feminino também é capaz.

"Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver é ser livre." - Simone de Beauvoir

​Por Juliana Gallinari