Opinião do Bar | E agora, José?

Contra as previsões, Trump ganhou a eleição nos Estados Unidos

Publicado em 10/11/2016
Opinião do Bar | E agora, José?
Por Aline Guevara
 
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
a Hillary perdeu,
o Trump ganhou,
e agora, José?
 
O mundo foi dormir apreensivo na noite de terça-feira (8), e acordou chocado. Apesar de praticamente todas as previsões da mídia mundial e de analistas apontarem para a vitória de Hillary Clinton à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump surpreendeu e irá se instalar na Casa Branca pelos próximos quatro anos. 
 
Mas o que isso significa? Os ataques a Hillary, desde a questão de saúde até os vazamentos de investigações do FBI, obviamente influenciam nessa derrocada. No entanto, a ascensão de Trump, especialmente depois do Brexit no Reino Unido, manda uma mensagem bem clara ao mundo: o conservadorismo, aliado a uma grande intolerância, vem ganhando bastante força. E talvez não estejamos lidando da melhor forma com essa situação.
 
Quando Trump surgiu querendo ser o candidato do Partido Republicano, ele foi tratado como uma piada de mau gosto, tanto pelos eleitores como por muita gente do próprio partido. Ele conseguiu sair como candidato. Quando as campanhas eleitorais começaram e Trump destilou comentários sexistas, homofóbicos e xenófobos, muitos não viram ele como um candidato a ser levado a sério e não faltaram memes e tiração de sarro. Agora ele está eleito presidente da nação mais poderosa do mundo.
 
Nem declarações como a de derrotar o Estado Islâmico "tomando todo petróleo do Iraque" e de que pode-se "fazer qualquer coisa com as mulheres quando se é famoso" diminuíram a sua força ou pararam os memes. Aqui no Brasil nós temos alguns casos de políticos que se apoiaram no humor e no entretenimento em suas campanhas, divertiram os eleitores e se elegeram. Não está parecendo uma estratégia ruim. 
 
Não dá mais para não levar a sério essas forças que estão surgindo crendo que a população já está evoluída o suficiente para pará-las. Elas são reflexo do que encontramos em nossa própria sociedade e só ganham força porque possuem apoio. Isso vale para o Reino Unido, para os Estados Unidos, para o Brasil e o restante do mundo.
 
Podemos negar, mas o preconceito existe em suas mais variadas formas e intensidades, com vários alvos diferentes. E mesmo em tempos de discussões sobre igualdade e empoderamento, ele ganha força. Nós subestimamos Trump da mesma forma que subestimamos os discursos de ódio que se proliferam nas redes sociais, em inúmeros influenciadores dentro da política e da mídia. 
 
Mas o discurso de ódio não pode continuar vencendo, e para isso precisamos parar de zombar e transformar tudo em piada. É preciso analisar seriamente esse posicionamento da sociedade e tratar como ele realmente é: um perigo.