Número de mamografias no SUS é o menor em 5 anos

Dificuldade para agendar e equipamentos quebrados são os motivos

Publicado em 11/07/2018
ilustração de uma mulher de camiseta branca e o símbolo rosa do câncer de mama do lado esquerdo do peito

O câncer de mama é o segundo tipo de tumor maligno mais comum entre as mulheres no mundo, permanecendo apenas atrás do de pele. De acordo com informações do Inca, a doença responde por cerca de 28% dos casos novos todo ano. Para detectar o mal precocemente, o exame é a melhor solução, no entanto, vem sendo pouco empregado no Brasil.

Segundo dados do Sistema Único de Saúde (SUS), da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Mastologia, entre as 11,5 milhões de mamografias que deveriam ser feitas em 2017, apenas 2,7 milhões de fato foram realizadas (ou 24,1%). Esse é o menor índice dos últimos cinco anos e está bem abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A dificuldade para agendar e realizar a mamografia ainda é o principal motivo para o baixo número de exames. Isso, claro, além da triste realidade encontrada em hospitais com equipamentos quebrados e falta de técnicos qualificados para operá-los”, conta o mastologista Ruffo de Freitas Junior, coordenador do estudo.

Um dos motivos pode ser o sucateamento do sistema público: dos R$ 510,7 milhões previstos para atender ao número necessário de mulheres, foram investidos apenas R$ 122,8 milhões. “A dificuldade que as pacientes enfrentam para serem tratadas no sistema público é muito grande. E eu imagino que não seja algo específico do câncer de mama”, afirma o presidente da SBM, Antônio Frasson, em entrevista ao site Saúde. 

Dessa forma, ele acredita que a alternativa é fazer pressão no governo. “Não apenas a SBM, mas a sociedade no geral deve pressionar através de grupos de voluntariado e ONGs para que o acesso aos exames aconteça naturalmente, e não com tanta dificuldade”, alerta.

Regiões

A pesquisa em questão calculou inclusive as piores regiões do Brasil quando o assunto é realizar mamografias: Rondônia, Distrito Federal e Amapá. Esperava-se que 76,9 mil mulheres em Rondônia se submetessem a esse exame. Entretanto, foram registradas somente 5,7 mil (7,4%) em 2017. No Distrito Federal, foram apenas 5 mil exames (3,1%), ante um potencial total de 158,7 mil. O Amapá, por sua vez, contabilizou 260 mamografias no SUS (1,1%) – o ideal seria ficar na casa dos 24 mil.

Foto: Divulgação/Pixabay