Novo estudo mostra que mulheres são minoria em Hollywood

Pesquisa de universidade dos EUA analisou os 250 filmes mais assistidos de 2017

Publicado em 11/01/2018
A diretora de filmes Patty Jenkins durante as filmagens do longa Mulher-Maravilha

Hollywood é um exemplo de igualdade entre mulheres e homens? Não. É o que constata o levantamento divulgado nesta quarta-feira (10) por Martha M. Lauzen, diretora do Centro de Estudos da Mulher em Televisão e Cinema, da Universidade Estadual de San Diego, na Califórnia. Foram analisadas as 250 produções cinematográficas que mais lucraram ano passado, nas quais apenas 18% das pessoas que ocuparam cargos estratégicos são mulheres.

Os dados revelados com essa pesquisa são mais uma prova da pequena atuação que o gênero feminino tem no cinema norte-americano:

  • 25% do total de produtores são mulheres; 

  • 19% do total de produtores executivos são mulheres;

  • 16% do total de editores são mulheres;

  • 11% do total de roteiristas são mulheres;

  • 11% do total de diretores são mulheres;

  • 8% do total de editores de som são mulheres;

  • apenas 4% do total de cineastas são mulheres;

Apesar dos três filmes que mais lucraram em 2017 serem protagonizados por atrizes e 52% dos frequentadores de cinema serem do sexo feminino, Hollywood não parece ser um lugar para mulheres que trabalham atrás das câmeras. Apenas 1% das produções analisadas tem mais de 10 mulheres trabalhando em posições de destaque, enquanto que 70% dos filmes tem mais de 10 homens contratados nesses mesmos cargos.

Lauzen disse, em entrevista ao site da revista Variety, que "é muito cedo para dizer que o clima atual irá ajudar a ter mais contratações de mulheres", fazendo referência aos escândalos envolvendo desigualdades salariais e abusos sexuais denunciados por atrizes, diretoras e mulheres do ramo. A autora do estudo fez uma comparação da presença de mulheres em produções nas últimas duas décadas, com números que nunca ultrapassaram os 20% de participação, sendo a maior porcentagem em 2001, com 19%.

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Divulgado na mesma semana do Globo de Ouro, evento em que as atrizes de Hollywood vestiram preto em protesto aos assédios a mulheres na indústria cinematográfica, o estudo deixa ainda mais visível a desigualdade entre homens e mulheres no cinema. A atriz Natalie Portman fez uma referência a essa disparidade ao anunciar os indicados ao prêmio de melhor direção no Globo de Ouro, quando ressaltou que todos os concorrentes eram homens. A única mulher na história a levar o troféu de melhor diretora foi Barbra Streisand, por Yentl, em 1984. 

Confira a reação dos indicados ao prêmio depois da fala da atriz:

Outros dados mostram que diretoras ainda são poucas   

Em outro estudo sobre as mulheres em Hollywood, publicado por Katherine Pieper, da Universidade do Sul da Califórnia, mostra que apenas 4% dos 1.223 envolvidos em grandes produções de 2007 a 2016 são mulheres, onde foram analisados 1.100 filmes. Além disso, a porcentagem de diretoras que tiveram uma segunda oportunidade é de 16%, enquanto que, entre os homens, esse número é de 45%. E, em 89 anos de Oscar, apenas quatro mulheres concorreram na categoria de melhor direção, com apenas uma ganhadora da estatueta, Kathryn Bigelow, por The Hurt Locker (Guerra ao Terror), de 2010.  

Foto: Divulgação/Twitter Patty Jenkins