#NosOtrasParamos: confira as mobilizações para 8 de março

Mulheres ao redor do mundo vão aproveitar o Dia da Mulher para lutar

Publicado em 12/02/2018
Ilustração de garota com mão em sinal de pare

A menos de um mês para o Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, as campanhas #8M e #NosOtrasParamos estão ganhando força nas redes sociais. Este ano, a mobilização promete ser a nível global.

Os tópicos já estão entre os assuntos mais comentados do Twitter, com frases de apoio às mulheres da Espanha, Argentina, Venezuela, México, entre outras partes do globo. 

Grupos feministas de cada país estão fazendo reivindicações diferentes mas, de uma forma geral, as mulheres discutem o fim da violência de gênero, as disparidades salariais, a independência financeira feminina e até mesmo a liberdade de reprodução.

As tags #8M e #NosOtrasParamos fazem parte de uma campanha do movimento feminista espanhol de 2016. Na ocasião, planejando o Dia Internacional da Mulher de 2017, feministas criaram o “Paro internacional de mujeres”, propondo a paralisação total de todas as profissionais.

A partir de então, a diferença salarial entre homens e mulheres se tornou o tema central da mobilização #NosOtrasParamos na Espanha.

"É uma data para lembrar de tudo o que conquistamos juntas e a luta por plena igualdade", apontou a feminista Cristina Hernández em uma carta publicada pelo El País.

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Direitos básicos

Enquanto isso, nas Américas Central e do Sul, a luta para o #8M é contra a violência de gênero e o feminicídio. No México, por exemplo, os números são alarmantes nesses aspectos: em 2014, 63 de cada 100 mulheres sofreram algum tipo de violência por parte de seu parceiro ou de outra pessoa. No mesmo ano, 2.289 assassinatos foram registrados contra mulheres no país.

Já na Venezuela, país que fechou 2017 com uma inflação de 2.616%, a população sofre com falhas no fornecimento de alimentos e remédios e, nesse cenário, as mulheres sentem a falta de contraceptivos. Luisa Kislinger, ativista internacional dos direitos das mulheres, anunciou, em entrevista ao site Hipertextual, que a escassez do medicamento impede a autonomia reprodutiva feminina, provocando gestações indesejadas em um país onde o aborto é permitido somente quando a vida da mulher está em perigo. De acordo com Kislinger, bebês são abandonados e fetos encontrados em aterros sanitários com frequência. 

E, na Argentina, entre as reivindicações as mulheres brigam por independência financeira e diminuição da jornada de trabalho. Em manifesto assinado por coletivos feministas do país, elas afirmam: “Paramos porque uma em cada três mulheres da região não tem renda própria. Porque a jornada média do trabalho não-remunerado das mulheres é de 39,13 horas semanais, enquanto a dos homens corresponde a 13,72 horas semanais em pelo menos dez países da região. Na Argentina, as mulheres trabalham três vezes mais do que os homens no trabalho doméstico e de cuidados. Paramos para visibilizar esta dupla jornada de trabalho que afeta, principalmente, a vida das mulheres mais pobres. Paramos porque as travestis e as transsexuais não estão no mercado de trabalho formal."

A ONU Mulheres também já fez o seu anúncio global para o #8M, confira aqui.

Foto: Divulgação/Twitter