Mulheres rurais são foco da nova campanha da ONU

Iniciativa quer empoderar mulheres que lutam por mudanças no campo

Publicado em 10/10/2017
Mulher na colheita

Até este domingo (15), as mulheres rurais são o centro das atenções na campanha 15 dias de ativismo pelo empoderamento das mulheres rurais. A iniciativa, que passou a valer no início do mês, é da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e faz parte da campanha global da ONU Mujeres Rurales, Mujeres Con Derechos (Mulheres Rurais, Mulheres com Direito).

Durante a ação quinzenal, páginas nas redes sociais, como a da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (Sead), irão divulgar histórias de mulheres rurais que fazem a diferença, com o intuito de dar voz a elas e empoderá-las. 

Para cada um desses 15 dias é trazida à tona uma mulher que atua por conquistas como igualdade de gênero, acesso à educação de qualidade e ao saneamento básico, direito à saúde, entre outros que ainda não são totalmente garantidos às famílias do campo, descritos nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Um grande exemplo é a trajetória da Maria Aparecida Martins, agricultora e quilombola de 62 anos, que foi a primeira presidente mulher da Associação de Pequenos Produtores Rurais de Furnas do Dionísio, no Mato Grosso do Sul. Durante sua gestão, ela lutou pela igualdade de gênero e fortalecimento de jovens, por meio de iniciativas como a criação de uma Casa da Juventude (leia a história dela e de outras mulheres rurais aqui no site da Sead).

Quem quiser participar da campanha também pode fazer postagens usando as as hashtags #MulheresRurais e #MujeresRurales.

Campanha marca duas datas voltadas às mulheres

A data que conclui a campanha dos 15 dias marca o Dia Internacional das Mulheres Rurais, que, assim como a iniciativa global da ONU - que segue ainda até 25 de novembro, o Dia Internacional da Não-Violência Contra a Mulher -, tem o propósito de tirar a força feminina de trabalho no campo da invisibilidade. 

"Se você considerar hoje e fizer as contas do quanto a mulher contribui com o seu quintal, com a produção de alimentos, com a criação de pequenos animais para a renda da família, isso é muito grande", destacou a consultora da assessoria internacional da Sead, Geise Mascarenhas, ao programa Brasil Rural, da EBC.

Segundo a ativista, em censo realizado em 2010 foi mostrado que a contribuição das mulheres rurais na renda familiar correspondia a 42% e, na área urbana, a 40%. Números significativos como esses reforçam o impacto que elas têm e, por isso, devem receber a atenção e as políticas que merecem. 

Na entrevista, Geise também revelou que o censo da agropecuária para revelar os números deste ano está sendo iniciado, mas ela já adiantou uma coisa: "a gente percebe que o campo hoje é mais feminino e mais jovem". 

Mulheres são fundamentais na qualidade dos alimentos

Mulher na colheita

Também dentro dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU está a redução do número de mortes e doenças desencadeadas pelo uso de produtos químicos perigosos em plantações, além da diminuição da contaminação e poluição do ar e da água.

Para ajudar também nesse combate, as mulheres rurais têm grande importância: elas são pioneiras em técnicas de produção orgânica e agroecológica, ou seja, livre de insumos artificiais e prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. 

De acordo com a organização do concurso nacional Vozes, imagens, histórias e experiências das mulheres rurais, realizado em setembro pela campanha Mulheres Rurais, mulheres com direitos, mais de 80% das participantes fazem uso da agroecologia em suas comunidades. 

Inclusive, coletivos de agroecologia como do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reforçam a importância do feminismo para a prática de cultivo, pois por meio da emancipação das mulheres e de toda classe é que eles enxergam o funcionamento da organização. "Sem feminismo não há agroecologia" é uma das bandeiras levantadas há anos por esses movimentos.

Fotos: Divulgação/Instagram/Facebook