Mulheres ganham destaque no Globo de Ouro 2018

Elas vestiram preto, levaram ativistas ao palco e discursaram contra o assédio

Publicado em 08/01/2018
Atrizes da série Big Little Lies

Hollywood não é mais a mesma. Após inúmeras denúncias de abuso e assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein (entre outros poderosos), a indústria do entretenimento passa por mudanças drásticas. E as grandes heroínas dessa revolução no showbiz são as mulheres. Por isso, não é de se impressionar quando, na primeira premiação do ano, o Globo de Ouro, sejam elas - e os seus discursos poderosos - as protagonistas da noite.

A primeira estatueta foi entregue para Nicole Kidman como melhor atriz em minissérie ou telefilme, por Big Little Lies, projeto criado por ela, Reese Witherspoon, Shailene Woodley e Laura Dern. “Minha mãe foi uma defensora dos direitos das mulheres. Cada conquista minha é uma conquista dela também. Que possamos mudar o mundo", declarou.

Uma das líderes do movimento de apoio a vítimas de assédio sexual no trabalho, a atriz Laura Dern falou sobre a mudança de comportamento em relação ao assunto. Ela foi a vencedora da categoria melhor atriz coadjuvante de TV por seu trabalho também em Big Little Lies. Na produção, Laura vive Renata Klein, a mãe de uma adolescente vítima de abusos e de bullying.

Muitas de nós fomos educadas a não contar. Existe uma cultura do silêncio. Peço que todos nós apoiemos os sobreviventes que contam a sua verdade. Que possamos promover a justiça e dar suporte a essas pessoas. E que possamos ensinar nossos filhos que falar sobre as coisas sem medo de represália é a nova regra”, disse.

Confira os vídeos do Bar de Batom no YouTube

Como esperado, The Handmaid’s Tale, a série baseada no romance O Conto da Aia, de Margaret Atwood, ganhou destaque. Elisabeth Moss, que já havia feito sucesso com sua personagem forte e libertária em Mad Men, recebeu seu segundo Globo da carreira com o protagonismo de The Handmaid’s Tale. Em discurso, a atriz fez questão de lembrar os homens que trabalhavam na série. “É desse tipo de homem que a indústria precisa. Esse prêmio é para você".  

A apresentadora de TV Oprah Winfrey também subiu ao palco e marcou a cerimônia com seu discurso sobre racismo, desigualdade de gênero e assédio, ao ser premiada com o Cecil B. DeMille Award. “Eu me inspiro em todas as mulheres que tiveram o poder e a força de compartilhar suas experiências pessoais. O tempo dos abusadores já acabou”, decretou.

Ativistas ganharam destaque

Atrizes ainda levaram ativistas feministas como suas acompanhantes ao tapete vermelho. Michelle Williams foi acompanhada de Tarana Burke, a ativista que criou o movimento #MeToo, com o objetivo de conscientizar as pessoas a respeito do abuso e assédio sexual. O movimento ganhou muito espaço após as acusações contra Harvey Weinstein, e as mulheres que aderiram a ele estiveram entre as eleitas como “pessoas do ano” pela revista Time.

Meryl Streep foi acompanhada de Ai-jen Poo, ativista diretora da Aliança Nacional das Trabalhadoras Domésticas. Ela luta pelos direitos de profissionais como babás e faxineiras desde 1996, e já contribuiu para que diversas leis que garantem direitos a essas trabalhadoras fossem aprovadas.

Emma Watson esteve com Marai Larasi, diretora executiva da Imkaan, uma organização de mulheres com sede no Reino Unido "visando responder e prevenir a violência contra mulheres e meninas de minorias negras".

Laura Dern foi com Monica Ramirez, co-fundadora da Aliança Nacional de Trabalhadoras Rurais. Ela advoga a favor das trabalhadoras do campo, e se dedica a combater a violência contra elas e as mulheres de uma forma geral.

Vestidas de preto

Todos os anos, no Globo de Ouro, os vestidos das atrizes eram o ponto alto da premiação. Mas este ano foi diferente. Como já havia sido especulado em dezembro, em forma de protesto, as celebridades escolheram vestidos pretos para apoiar o movimento Time’s Up, que combate a discriminação não apenas em Hollywood, mas em todo o país. A campanha mobiliza mais de 300 atrizes, diretoras e agentes, e já angariou 14 milhões de dólares para ajudar vítimas de assédio sexual.

Foto: Divulgação/Instagram