Mulheres ainda são minoria entre os candidatos

Número de candidaturas femininas pouco mudou desde 2014

Publicado em 01/10/2018
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Foto: Marina Silva, uma das duas candidatas à Presidência da República em 2018 (crédito - REDE/divulgação)

O período eleitoral é uma ótima oportunidade para refletir sobre a participação feminina na política brasileira. Nas eleições atuais a discrepância é clara, com as mulheres ocupando apenas 31,2% das candidaturas registradas.

As estatísticas, divulgadas pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostram que pouca coisa mudou desde 2014, quando o percentual era de 31,1%. O número fica ainda pior se considerarmos que, mesmo com as mulheres somando 52% dos eleitores, o total de candidaturas continua próximo da cota mínima de 30%, estabelecida pelo parlamento em 2008.

Marina Silva e Vera Lúcia são as únicas candidatas à Presidência da República

Apenas duas mulheres postulam o principal cargo político do Brasil em 2018: Marina Silva (REDE) e Vera Lúcia (PSTU) participam ao lado de outros 11 candidatos. Em 2014, eram três mulheres concorrentes ao mesmo cargo: Dilma Rousseff (PT), Luciana Genro (PSOL) e novamente Marina Silva (então pelo PSB).

Ao menos, o número de mulheres ocupando as vagas à vice-presidência é o mesmo. São quatro as candidatas: Ana Amélia (PP), Kátia Abreu (PDT), Manuela D’Ávila (PCdoB) e Sônia Guajajara (PSOL), todas na luta por um lugar no Palácio do Jaburu.

Aumento de candidaturas femininas em outras esferas

As estatísticas são melhores para aspirantes aos governos de cada estado. Em 2018, são 29 mulheres candidatas, nove a mais do que nas eleições anteriores. Nas candidaturas ao vice-governo, são 73 neste ano, enquanto no último pleito eram 47. Apesar do acréscimo de concorrentes, atualmente apenas 2 mulheres ocupam esse cargo: Cida Borghetti, do Paraná (PP) e Suely Campos, de Roraima (PP). Campos, no entanto, foi a única a ter vencido as eleições como candidata principal, uma vez que Cida Borghetti governa por ser a vice de Beto Richa, licenciado para candidatura ao senado.

Aumento feminino também na corrida ao Senado. São 62 candidatas, ao contrário das 35 em 2014. O cenário atual, porém, reflete a desigualdade em vigor: dos 81 senadores, apenas 13 são mulheres.

Quando avaliamos os registros para as votações de deputado estadual e deputado federal, os números continuam baixos. As candidaturas femininas para as Câmaras Estaduais somam 30,7%, enquanto para a Câmara Federal são 31,59% do total.

Os resultados das eleições de 2018 podem ajudar a mudar a disparidade atual: em dezembro de 2017, apenas 16% dos senadores e 10,5% dos deputados eram mulheres. Isto faz com que o Brasil ocupe a 152ª posição, quando comparamos o percentual de parlamentares homens e mulheres, de acordo com ranking do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e monitorado pela Inter-Parliamentary Union, organização suíça.

Resta saber se após as eleições, as mulheres terão um aumento na participação em todas as esferas políticas, modificando esse cenário de desigualdade.