Mulher no poder: país precisa de mais candidatas na política

Atuação feminina em cargos do Executivo fica abaixo da média mundial

Publicado em 04/04/2018
Manuela d'Ávila

Atualmente, 92% da população mundial é governada por representantes do sexo masculino. Por isso, sabemos que para ocorrer uma verdadeira revolução a respeito da igualdade de gênero no Brasil, e no mundo, é imprescindível que as mulheres comecem a atuar em funções de poder: liderança de empresas e principalmente em cargos políticos. No entanto, o país está na lanterna nesse sentido, ocupando a 161ª posição no ranking de 186 países sobre a representatividade feminina no poder executivo.

Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ONU e Banco Mundial, desde 1940 até os dias de hoje, levantados pelo Projeto Mulheres Inspiradoras, de 186 países ranqueados, somente 17 têm mulheres como chefes de governo atualmente. Em primeiro lugar está a Nova Zelândia, seguido do Chile - onde a ex-presidenta Michele Bachellet terminou recentemente o segundo mandato - e Reino Unido, que tem a rainha Elizabeth II no trono desde 1952, além de Theresa May como primeira-ministra.

Brasil

Analisando as esferas federal, estadual e municipal é possível observar melhor o quadro. Só há uma mulher nomeada para alto escalão no Brasil: Grace Maria Mendonça, da Advocacia-Geral da União - entre os ministros -, enquanto a média mundial é de 18%.

Já entre os chefes de governo dos Estados, há apenas uma mulher como governadora: Suely Campos (PP), em Roraima. Isso significa que das 20 candidatas que disputaram algum governo do Estado na última eleição (2014), apenas uma foi eleita- cenário que continua o mesmo há 24 anos. Para reverter essa situação, se o crescimento continuar no mesmo ritmo, as mulheres só conseguirão ocupar metade das cadeiras ao governo do Estado no país em 2065. 

Nas prefeituras, de acordo com as últimas eleições municipais (2016), 68% das cidades sequer tiveram uma candidata. Contudo, algumas das regiões do país estão despontado. O Rio Grande do Norte é o Estado brasileiro que mais tem mulheres prefeitas, enquanto o Nordeste é a região que mais tem presença feminina no poder executivo: 16%, quatro pontos percentuais acima da média nacional.

O Rio Grande do Norte foi a região que mais votou nas candidatas à presidência mulheres - naquele ano, 2014, havia Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (Rede) e Luciana Genro (PSOL). Segundo o levantamento, 83% dos votos válidos da região foram para alguma dessas três candidatas. No entanto, para as eleições de 2018, só existem duas pré-candidatas à presidência: Marina Silva (Rede) e Manuela D’Ávila (PCdoB).

As brasileiras foram desfavorecidas na história

Para reverter esse cenário é preciso entender o atraso ao direito ao voto feminino no Brasil. Na Nova Zelândia - atual líder no ranking - as mulheres passaram a eleger os seus candidatos quase ao mesmo tempo do que os homens: em 1889, homens podiam votar e ser votados, e quatro anos depois, em 1893, foram as mulheres. Já no Brasil, enquanto homens puderam votar e ser votados a partir de 1891, as mulheres só conquistaram este direito em 1932, 41 anos depois.

Alzira Soriano foi a primeira mulher a se tornar prefeita no Brasil e a primeira mulher a assumir o governo de uma cidade na América Latina. Ela foi escolhida pelo povo quando mulheres nem sequer tinham o direito de votar. Em 1928, Alzira, viúva e mãe de três filhas, conquistou 60% dos votos e em 1º de janeiro do ano seguinte foi empossada prefeita de Lajes, no Rio de Grande do Norte. 

Foto: Divulgação/Instagram Manuela d'Ávila