Modelo que estrelou campanha da Dove afirma não ser vítima

Marca retirou o vídeo do ar e pediu desculpas pelos danos causados

Publicado em 12/10/2017
Mulher negra tirando a blusa e mulher branca aparecendo em campanha da Dove

Lola Ogunyemi, a modelo nigeriana que estrelou a campanha da Dove acusada de racismo na última sexta-feira (6), se pronunciou nesta semana sobre o caso, através de um artigo publicado no jornal britânico The Guardian, onde afirmou que não se considera uma vítima. 

"Todas as mulheres que participaram entenderam o conceito e o objetivo da campanha - usar nossas diferenças para destacar o fato de que todas as peles merecem a delicadeza", disse em seu depoimento.

No texto, a modelo revelou que estava entusiasmada por promover a beleza negra e que ficou assustada ao descobrir que de repente havia se tornado alvo de uma propaganda racista.

"Ter a oportunidade de representar minhas irmãs negras para uma marca de beleza global me pareceu a maneira perfeita de lembrar o mundo que estamos aqui, que somos lindas e, mais importante, que somos valorizadas", escreveu Lola.

A modelo disse que ficou chateada ao saber da indignação que a propaganda gerou na internet. "Se você procurar no Google 'campanha racista' agora, uma foto do meu rosto é o primeiro resultado. Eu estava empolgada em fazer parte de um comercial que promove a força e a beleza da minha raça, então isso ir contra esse conceito foi perturbador", desabafou.

Lola afirmou que adorou o resultado do primeiro vídeo, de 13 segundos, lançado no Facebook e da versão completa para TV, com duração de 30 segundos, ainda mais pelo fato de ser a primeira a aparecer. Ela ainda revelou que recebeu diversos elogios de amigos e familiares.

Polêmica

Na última sexta-feira (6), a página de Dove compartilhou um vídeo, de apenas 3 segundos, em que Lola aparece tirando sua camiseta marrom, transformando-se em outra modelo, de pele branca e cabelos ruivos.

A versão provocou polêmica na internet, pois pareceu que se tratava de um "antes e depois", no qual a versão com a modelo negra era o "antes" e com a branca o "depois". Originalmente publicado na página do Facebook da Dove Estados Unidos, o vídeo foi apagado após ser denunciado pelos internautas.

Lola contou que teria recusado participar da campanha se tivesse entendido que ela poderia ser interpretada como racista. "Se eu tivesse a mínima noção de que eu seria retratada como inferior, ou como o 'antes' de uma edição com antes e depois, eu teria sido a primeira a dizer um enfático 'não', isso vai contra tudo o que eu acredito", escreveu.

A marca fez um pedido de desculpas ao público, lamentando os danos causados, porém, a modelo alegou que, apesar de concordar com o pedido de desculpas feito pela marca, ela poderia ter defendido sua visão criativa e sua escolha de incluí-la.

"Eu não sou apenas uma vítima silenciosa de uma campanha de beleza equivocada. Eu sou forte, sou bela e não serei apagada", finalizou Lola.

Foto: Reprodução/YouTube