MMPB: site denuncia machismo em músicas brasileiras

Projeto analisa letras e mostra porque são problemáticas

Publicado em 13/04/2018
música popular brasileira

"Uma mulher tem que ter alguma coisa além da beleza. Qualquer coisa feliz. Qualquer coisa que ri. Qualquer coisa que sente saudade. Um pedaço de amor derramado". Certamente você já deve ter ouvido a música Soneto da Mulher Ideal, de Vinicius de Moraes, bebendo um vinho e suspirando na sexta-feira à noite. Mas você já reparou na letra dessa música?  "Uma beleza...Que vem da tristeza. Que faz um homem que como eu sonhar. Tem que saber amar. Saber sofrer pelo seu amor. E ser só perdão." Não é preciso dizer muita coisa, não é mesmo?

Pensando no conteúdo dessas canções que fazem parte da discografia brasileira, Rossiane Antúnez, Carolina Tod, Lilian Oliveira e Nathália Ehl criaram o projeto MMPB (Música Machista Popular Brasileira). O site, inaugurado no início de abril, revela uma infinidade de músicas que sempre ouvimos, mas nunca nos demos conta de seus conteúdos duvidosos. 

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Em depoimento publicado no Facebook, Rossiane explica a criação do site. "Sabe quando você tá lá curtindo uma música deboinhas e de repente você para pra pensar no quanto aquela letra tá errada? No quanto ela faz apologia à violência? Estupro? Relacionamento abusivo? Pois é. Sabemos bem. Nosso projeto tá aqui pra apontar o tanto de música escrota que existe aqui no nosso Brasilzão, afinal, essas letras são só um reflexo de como a sociedade vem tratando as mulheres ao longo do tempo", explica.

Segundo ela, a intenção é explorar todos os gêneros musicais. "No MMPB tem de Vinicius de Moraes a Mc Livinho e de Claudia Leitte (sim, mulher também reproduz discurso machista) a Wesley Safadão. Se a letra for escrota, a gente vai expor, sim”, defende.

Se você clicar no botão "shuffle" do site, é possível ver algumas músicas e explicações sobre o seu conteúdo, como 'Garota Recalcada', de Ludmilla. "Para com essa coisa, garota recalcada. Cachorra da rua a gente pega na porrada. Para com essa coisa, garota recalcada. Cachorra da rua a gente pega na porrada."

O site analisa porque a letra é problemática: "A música de 2014, infelizmente retrata uma rixa entre mulheres - rixa fortíssima com direito a ameaça física e tudo mais. A letra reforça o estereótipo de que mulher junta não dá boa coisa e vamos combinar que a gente não precisa disso, né Lud?". 

Foto: Divulgação/Pinterest