Manuela D'Ávila: conheça a candidata à presidência

Ela defende a retomada do crescimento econômico e dos direitos femininos

Publicado em 17/11/2017
Manuela D'Ávila

Após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, escândalos de corrupção e, consequentemente, diversas prisões, o ano de 2018 promete ser decisivo para a renovação do cenário político no Brasil. 

Recentemente, um nome surgiu para dar início à disputa. A deputada do Rio Grande do Sul Manuela D'Ávila anunciou na última quarta-feira (8) sua pré-candidatura à presidência da república pelo PCdoB, após ter sido a parlamentar mais votada pelos gaúchos em todas as eleições que disputou.

Hoje, aos 36 anos, ela disputará a eleição presidencial de 2018 sob a sigla do partido que desde 1989 não propõe uma candidatura própria, mas vinha integrando coligações lideradas pelo PT.

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Se for eleita, será a presidente mais jovem da história do Brasil, seguindo uma tendência mundial, uma vez que vários países elegeram recentemente representantes com menos de 45 anos: como a primeira-ministra Jacinda Ardern da Nova Zelândia, que tem 37 anos; o presidente da França, Emmanuel Macron, com 39 anos; Virginia Raggi, prefeita de Roma, também com 39 anos e, por fim, Justin Trudeau, o primeiro-ministro do Canadá, que tem 45 anos.

Entre as primeiras propostas discutidas na mídia, a deputada defende a retomada do crescimento econômico do Brasil e a defesa dos direitos das mulheres nas mais variadas áreas: da saúde à economia.    

Histórico precoce na política

Aos 15 anos, Manuela D'Ávila iniciou a sua militância política como filiada da União da Juventude Socialista (UJS) e se tornou um dos maiores nomes de liderança do movimento estudantil. Com apenas 23 anos, ela deu início ao seu primeiro mandato no PCdoB. 

Formada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Manuela foi indicada três vezes pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) como uma das 100 Cabeças do Congresso e cinco vezes ao Prêmio Congresso em Foco, que premia os melhores parlamentares do Brasil. 

Na Câmara Federal, a deputada foi autora da Lei do Estágio, relatora do Vale-Cultura e do Estatuto da Juventude, presidiu a Comissão de Direitos Humanos e foi coordenadora da bancada gaúcha.

Casada com o músico Duca Leindecker e mãe de Laura, de dois anos e três meses, a candidata à presidência do Brasil ainda tornou-se um símbolo da resistência feminina na política ao mostrar que é possível conciliar a maternidade com os seus deveres públicos. 

Manuela milita pelos direitos das mulheres

A imagem de Manuela D'Ávila amamentando a filha durante um debate na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em julho do ano passado, repercutiu no Brasil inteiro. Defensora ainda da amamentação, a candidata, em entrevista ao Huffpost Brasil,  acredita que a gestão atual de Michel Temer é uma afronta às mulheres em relação aos direitos reprodutivos e sexuais e, também, a respeito do desenvolvimento econômico.

"A gente vive um momento de diminuição do papel do Estado, as políticas públicas vivem um momento de diminuição de direitos sociais e de direitos individuais. As mulheres são as mais prejudicadas com isso. Então, sim. No governo Temer, as mulheres perderam muito", apontou Manuela à reportagem.

"São elas que mais sofrem com todo o conjunto da reforma trabalhista. Basta dizer que hoje as grávidas podem trabalhar em ambientes insalubres. Talvez essa seja a cara da preocupação do governo Temer com os direitos das mulheres. Num momento de crise econômica, você permitir que grávidas trabalhem em ambientes insalubres é a prova de uma redução dos direitos das mulheres". 

Para ela, no atual governo, as mulheres vêm sendo prejudicadas também em outras instâncias. "As mulheres são também as maiores utilizadoras dos serviços de saúde. Então, quando você diminui o Estado, por exemplo com o congelamento dos gastos que foi aprovado por 20 anos, você está dizendo que o Estado deixará de aportar recursos em políticas públicas que são estruturantes para as mulheres. Quem é que deixa de ir para o trabalho quando uma vaga em creche não é ofertada? É a mulher. De cada mil jovens, apenas 22 optam por carreiras vinculadas às áreas da tecnologia. Desses 22, apenas um é mulher. Então a gente está dizendo que esse crescimento econômico, que para mim passa pela indústria 4.0, precisa das mulheres ou ele não acontecerá em nosso país".  

Projetos econômicos e políticos

Manuela D'Ávila

Em entrevista ao site da revista Veja, Manuela D'Ávila afirmou que o tema central de sua candidatura é a política econômica e a retomada do crescimento do país.

"Politicamente, a candidatura defende uma frente ampla, que é a ideia de reunir setores maiores da sociedade. Como a gente faz para o Brasil entrar nesse período da revolução 4.0, da tecnologia, da quarta Revolução Industrial? Precisamos entender qual é o papel do Estado na indução desse crescimento. Precisamos saber qual é o Estado que servirá melhor o povo. De forma mais eficiente? Claro. Mas o debate sobre o Estado não é uma mera discussão sobre gestão. A gestão é fundamental, o Estado tem que funcionar, ser harmônico e ter menos burocracia. Mas a gente não pode fazer com que esse debate pareça que é o debate que vai resolver o problema da retomada do crescimento do Brasil. A gente está discutindo emprego. Melhorar gestão não necessariamente gera emprego". 

Entre algumas das medidas efetivas que a candidata pretende trabalhar é a economia à serviço do povo brasileiro. Para ela os juros altos e o câmbio prejudicam o desenvolvimento da indústria nacional.  

"Vou dar um exemplo das medidas [prejudiciais] do Temer, que é a alteração da TJLP [Taxa de Juros de Longo Prazo] do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - mudança de taxa subsidiada para taxa de mercado]. Defendemos um referendo revogatório da alteração porque sem a TJLP a gente jamais vai ter emprego de qualidade no Brasil. Porque todos os países têm banco de desenvolvimento com taxa de juro de longo prazo para favorecer a indústria própria e de inovação, que geram empregos. A mesma coisa com os juros e câmbio. A economia brasileira tem que estar a serviço do povo brasileiro. Como a gente tem taxas de juro tão altas se elas não servem para a indústria nacional, para gerar competitividade? Como a gente tem um câmbio que não serve para a indústria brasileira?".

Hoje, dia 17 de novembro, acontece o ato de lançamento oficial da pré-candidatura de Manuela D'Ávila, a partir das 16h. Para conhecer melhor as suas propostas e acompanhar o lançamento ao vivo, acesso o site oficial do PCdoB ou o Twitter do partido 

Fotos: Divulgação