'Lugar de Mulher é no Cinema' debate visibilidade nas telonas

Conversamos com idealizadoras da mostra feminista de filmes

Publicado em 24/01/2018
Cena do filme Ralé, de Helena Ignez

As mulheres estão ocupando espaço no meio audiovisual. Não só como atrizes, mas também como curadoras, produtoras, diretoras, roteiristas e até como diretoras de fotografia com indicação ao Oscar. Diante desse cenário, a fim de dar visibilidade para essas profissionais e voz a assuntos relevantes para a sociedade - como violência contra a mulher, misoginia, sexualidade e questão de gênero - foi criada a Mostra Lugar de Mulher é no Cinema. O evento, que está em sua segunda edição, acontece entre os dias 26 de março e 1 de abril, em Salvador, na Bahia. E amanhã (25) é o prazo máximo para enviar curtas para a competitiva nacional. 

O festival foi idealizado pelas cineastas Hilda Lopes Pontes, Moara Rocha e Lilih Curi que, de maneira colaborativa e sem financiamento, vêm construindo o perfil do evento. Em entrevista ao Bar de Batom, elas dão detalhes sobre a iniciativa. "Sentimos a necessidade de se juntar, trocar informações e dinamizar o mercado local, mobilizando, de alguma maneira, o cinema feminista e feminino nacional e da Bahia", explica Lilih. 

A ideia é levantar assuntos oriundos de uma "minoria social" e pouco representada. "Em um cenário onde a indústria cinematográfica mundial é masculina e branca, uma mostra de cinema nordestina, feminista e que volta os olhares para as questões da mulher negra, lésbica e trans é de extrema importância política”, completa Moara.

Esse ano, a Mostra Lugar de Mulher é no Cinema vai homenagear a atriz e cineasta Helena Ignez. Ela foi ícone do cinema marginal, protagonizando diversos filmes dos diretores Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, com os quais foi casada. Já nos últimos anos, Helena vem dirigindo produções de grande importância para o cinema nacional: A miss e o dinossauro (2005); Canção de Baal (2007); Luz nas trevas: a volta do Bandido da Luz Vermelha (2010); Feio, eu? (2013); Poder dos afetos (2013); Ralé (2016) e A Moça do calendário (2017).

Mostra promove intercâmbio com outros festivais

Na primeira edição do festival, que aconteceu em 2017, aconteceu apenas uma mostra de convidados. Ao todo, 50 filmes foram exibidos. Mas esse ano o evento vai crescer. Isso porque as realizadoras farão uma competitiva e também vão agregar produções de outros festivais. Dessa forma, nasceu o Encontro Somos Todas Uma, dentro da mostra.
 
A intenção é fazer um intercâmbio com outros tradicionais festivais baianos: como a Mostra Elas - Filmes Dirigidos por Mulheres; Mostra Cine Dendê - Cinema Periférico de Salvador e Mostra Cine Kurumin – Festival de Cinema Indígena, todos da Bahia. Além da For Rainbow - Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual, de Fortaleza, no Ceará

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"Além de visibilidade, a palavra desse festival é sororidade. Vamos fazer uma espécie de crossover, no qual quatro curtas exibidos na nossa mostra serão exibidos nas outras, e vice-versa. Existe espaço para todo mundo e a gente quer dar visibilidade uma para a outra", destaca Lilih. 

Além do Encontro Somos Todas Uma, o Festival também vai agregar sessões de matinê, especiais para as mães que desejam assistir aos filmes com os filhos.

Competição de curtas nacionais acontece na mostra

Além dos filmes convidados, também serão escolhidos curtas para a competitiva da Mostra selecionada. A curadoria é formada pelas cineastas Clarissa Rebouças, Maria Carolina, Ceci Alves e Marise Urbano, com coordenação da roteirista Amanda Aouad.

Ao todo, serão escolhidos 20 curtas brasileiros (ficção, documentário, animação, experimental e híbrido) de até 20 minutos de duração, dirigidos por mulheres e/ou com mulheres como protagonistas. "Entende-se por mulheres todas aquelas que têm identidade de gênero feminino", pontua Lilih.

Os curtas devem ser inscritos até amanhã, 25 de janeiro. Todos os detalhes e regras podem ser acessados no regulamento do festival, na fanpage do evento no Facebook.Mostra selecionada vai conceder prêmios para Melhor curta, Melhor roteiro, Melhor direção e Melhor atriz.

Lugar de Mulher é no Cinema será realizada no Goethe Institut (Corredor da Vitória) e na DIMAS (Sala Walter da Silveira, nos Barris), ambos em Salvador (BA). Segundo a organização, a programação completa do evento estará disponível em breve.

Por Mayhara Nogueira

Foto: Reprodução/Filme Ralé de Helena Ignez