Livro destaca mulheres injustiçadas na história

Paulo Rezzutti conta casos envolvendo desde anônimas a ícones femininos

Publicado em 23/05/2018
livro "Mulheres do Brasil – A História Não Contada" em um fundo rosa

Muitas mulheres poderosas, que foram peças decisivas na história do país, acabaram sendo esquecidas ou completamente ignoradas da narrativa. A fim resgatar esses nomes, o escritor Paulo Rezzutti lançou o livro "Mulheres do Brasil - A História Não Contada". A publicação tem o objetivo de revelar fatos sobre ícones femininos que foram “escondidos” pela historiografia oficial, embora tenham sido protagonistas de muitos momentos formadores do país. A obra traz mais de 200 delas, que acabaram tendo suas biografias deturpadas ou sequer apareceram nos registros convencionais.

Segundo uma resenha do site do Estadão, "Mulheres do Brasil" não é um dicionário de vidas femininas. O autor cria um fio condutor narrativo, no qual é possível narrar as trajetórias desses ícones em seis capítulos: Mães do Brasil; Boas, Más e Perigosas; Heroínas e Vilãs; O Poder das Mulheres e as Mulheres de Poder; Artistas e Mecenas; e Transgressoras.

Como biógrafo de três das mais icônicas figuras do período monárquico brasileiro – a Marquesa de Santos, o imperador d. Pedro I e a imperatriz Leopoldina –, Rezzutti revelou que, dentro desse famoso triângulo amoroso, a Marquesa era muito mais do que a amante do imperador, uma mulher forte, poderosa e à frente do seu tempo; e Leopoldina não era a conformada e apagada figura pintada nos livros de História, mas sim a grande articuladora da Independência do Brasil. 

Leopoldina assumiu o governo do Brasil por algumas semanas esporádicas, devido a viagens de d. Pedro, sua neta Isabel acabou sendo educada justamente para assumir o trono numa eventual sucessão de Pedro II. “A princesa d. Isabel assumiu sua primeira regência, de um total de três, em maio de 1871. Era a primeira vez que uma brasileira nata governava o Brasil”, afirma. Depois dela, o país só seria novamente comandado por uma mulher séculos depois: Dilma Rousseff, de 2011 a 2016. 

Mulheres do Brasil também traz figuras femininas que não nasceram mulheres, como o caso de Astolfo Barroso Pinto (1943-2017), mais conhecida como Rogéria, que se autointitulava “a travesti da família brasileira”. No mesmo capítulo, Rezzutti lembra da cartunista Laerte, que desde 2010 assumiu-se publicamente como transgênero. 

No mundo artístico, o autor destaca o protagonismo de Tarsila do Amaral (1886-1973) na criação do movimento antropofágico, reduzindo o papel de Oswald de Andrade. Para isso, ele utiliza um relato de Raul Bopp: “a chefa do movimento foi Tarsila. Oswald ia na vanguarda, irreverente, naquele solecismo social de São Paulo.” Rezzutti ainda destaca os aspectos da vida íntima de Tarsila, que pediu o divórcio do primeiro marido que a traía, casou-se outras duas vezes – e seu último relacionamento foi com um homem 20 anos mais jovem.

Além delas, o livro também conta a história de Maria Bonita, Leila Diniz, Zuzu Angel, Marielle Franco, Anita Malfatti, Zilda Arns e muitas outras. Mulheres do Brasil: A história não contada foi publicado pela editora Leya, e já está à venda nas lojas físicas e online por R$ 47,32. 

Foto: Divulgação/Instagram Leya