Helena Solberg ganha retrospectiva no RJ, SP e Brasília

Serão 17 filmes exibidos no CCBB das três capitais; entrada é franca

Publicado em 07/03/2018
Helena solberg em gravação

A cineasta brasileira Helena Solberg ganha retrospectiva inédita, que será exibida durante os meses de março e abril no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) de três cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Serão 17 filmes, que revelam temáticas sobre feminismo, conflitos políticos, históricos e ficção. A mostra oferecerá exibições comentadas por pesquisadores especialistas e uma master class com a cineasta, além de debates em cada capital.  

Trazer a filmografia da Helena Solberg para a programação do CCBB no momento em que o debate sobre a atuação da mulher no mercado cinematográfico e na sociedade está em voga é de grande relevância. Helena é uma militante feminista e política, o que pode ser visto em sua vasta carreira no gênero documentário”, comentou Marcelo Fernandes, gerente geral do CCBB.

Reconhecida por ser a única diretora mulher a participar do Cinema Novo, Helena estreou a carreira no emblemático curta-metragem "A Entrevista" (1966), no qual moças de formação burguesa do Rio de Janeiro falam sobre casamento, sexo e política, enquanto a imagem de uma noiva se preparando para o casamento é desmistificada pelo áudio das entrevistas.

diretora helena solberg

Nos anos 70 do Brasil em ditadura, Helena mudou-se para os Estados Unidos, onde viveu um longo período de liberdade criativa. A sua primeira realização naquele país foi "The Emerging Woman" (1974), filmado coletivamente pelo grupo Women’s Film Project, criado pela cineasta em Washington.
 
As duas produções seguintes compõem o que a pesquisadora Mariana Tavares chamou de “Trilogia da Mulher”: "A Dupla Jornada" (1975), que examina as condições da mão de obra feminina na Argentina, México, Venezuela e Bolívia; e "Simplesmente Jenny" (1977), que se dedica à vivência de três jovens em um reformatório boliviano para adolescentes.
 
Tomando como tema as problemáticas das relações políticas entre Estados Unidos e América Latina, na segunda frente de investigação de seu cinema, Helena dirigiu e produziu seis documentários politicamente engajados. Entre eles, o aclamado "Das Cinzas: Nicarágua Hoje" (1982), sobre a Revolução Sandinista vista sob o olhar de uma família, vencedor de um Prêmio Emmy em 1983.

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No mesmo período, ela lançou "A Conexão Brasileira" (1982), filme que narra atividades eleitorais após 18 anos de ditadura militar. Com elementos do jornalismo televisivo, Helena entrevistou os candidatos da oposição da época no Brasil: Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso (na época senador eleito), Darcy Ribeiro (vice-governador eleito no Rio de Janeiro), a professora de filosofia da Universidade de São Paulo Marilena Chauí, entre outros importantes depoimentos de figuras públicas do momento.

filme Miranda: Bananas Is My Business de helena solberg

Em 1995, lançou nos cinemas dos EUA e Brasil seu filme de maior reconhecimento internacional, "Carmen Miranda: Bananas Is My Business", uma mistura de documentário e ficção que narra a vida e carreira da cantora. A produção também dá voz às questões políticas, abordando o olhar estrangeiro sobre o Brasil.

Nos anos 2000, Helena direcionou a sua carreira para novos rumos: marcou a sua estreia na direção de uma adaptação ficcional com o longa-metragem "Vida de Menina" (2004), baseado no diário de Helena Morley; "Palavra (En)cantada" (2009), que realiza uma viagem histórica pelas relações entre música popular e poesia brasileira, e "A Alma da Gente" (2013), codirigido com David Meyer, que foca na ausência do estado através de um grupo de dança na Favela da Maré.

E, agora em 2017, a cineasta retorna com o tema "feminismo" para realizar o seu filme "Meu Corpo Minha Vida", trazendo discussões sobre os contextos sociais e políticos sobre a descriminalização do aborto.
 
A retrospectiva Helena Solberg foi contemplada no Programa de Patrocínio 2017/2018 - Centro Cultural Banco do Brasil. A programação acontece de 7 a 19 de março no CCBB Rio de Janeiro e São Paulo, e de 3 a 22 de abril em Brasília. Entrada franca

Foto: Divulgação