Grammy 2018: cantoras marcam a noite em atos contra o assédio

Apresentação musical coletiva de mulheres, liderada por Kesha, foi o ápice

Publicado em 29/01/2018
Mulheres cantando de branco no Grammy 2018

Bruno Mars brilhou no Grammy Awards 2018, levando para casa seis estatuetas, mas foram as mulheres que se destacaram na noite de domingo (28), durante a premiação. O protesto contra o assédio sexual no showbiz é a mensagem que ficou marcada nesta edição do evento. 

As primeiras manifestações começaram ainda no tapete vermelho. Cantores como Lady Gaga Sam Smith carregaram rosas brancas em seus trajes, conforme já haviam anunciado dias antes. O ato, organizado por autoridades femininas das gravadoras Roc Nation e Interscope Geffen A&M, foi uma referência às flores usadas pelas mulheres do movimento sufragista em seus protestos nos Estados Unidos.

Outro momento emocionante da noite foi a apresentação musical coletiva liderada pela cantora Kesha, que travou uma batalha judicial por anos contra o produtor Dr. Luke, a quem acusou de assédio sexual e moral.

Antes do show, a cantora Janelle Monáe discursou sobre a importância do movimento Time’s Up, criado por atrizes de Hollywood para combater o assédio sexual na indústria cinematográfica.

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Nós dizemos chega para a disparidade de salários. Chega de discriminação. Chega de assédio de qualquer tipo. E chega do abuso de poder. Porque, sabe, não está acontecendo somente em Hollywood, em Washington, está aqui, na nossa indústria, também.”

Em seguida, Janelle chamou ao palco nomes como Camila Cabello, Rihanna e Cindy Lauper para cantar Praying – canção composta por Kesha em protesto contra Dr. Luke. Esse foi o primeiro single solo da cantora após a conclusão do processo contra o produtor.

Na apresentação, todas as artistas vestiram branco e cantaram em uníssono, com Kesha no centro. No fim, ela foi abraçada pelas colegas.

Entenda o caso

Kesha processou Dr. Luke em outubro de 2014, alegando ter sofrido abusos de vários tipos ao longo de dez anos, inclusive estupro. No processo, a cantora pedia a revogação de seu contrato com Luke e a gravadora Sony Music. Porém, a Suprema Corte de Nova York decidiu que Luke era inocente das acusações movidas pela artista, mas concedeu que ela não trabalhasse diretamente com o produtor. Porém, o contrato com a Sony ainda continua. 

Foto: Reprodução/Instagram