Feminismo e diversidade marcam o Carnaval 2018

Do bloco de rua ao samba-enredo, confira o que virou notícia

Publicado em 14/02/2018
Mulheres fantasiadas com dizeres feministas escritos nas costas, como "Nem santa, nem puta, mulher e da luta"

O Carnaval 2018 teve um sabor especial esse ano, entoando feminismo. Por todo o país, a festa foi marcada por seu conteúdo crítico, político e empoderado. Dos blocos de rua ao samba-enredo, o evento ganhou diversas manifestações contra a violência de gênero, o machismo e o assédio, e a favor da liberdade e do respeito ao corpo feminino, enaltecendo o valor da diversidade.

Confira o que foi destaque nesta edição da festa mais tradicional do Brasil:

O manifesto da Beija-Flor na Sapucaí

No Rio de Janeiro, a Beija-Flor de Nilópolis fez um desfile cheio de críticas sociais na madrugada de terça-feira (13). Com participação da funkeira Jojo Todynho e de Pabllo Vittar, o grupo falou de intolerância, desigualdade social e corrupção. Última a entrar na Sapucaí, a Beija-Flor trouxe o samba-enredo Monstro é aquele que não sabe amar

A escola lembrou o romance da autora inglesa Mary Shelley e fez um paralelo entre os motivos que levaram à criação do monstro pelo Dr. Frankenstein e as origens dos problemas no país: ambição e ganância. O enredo também comparava o abandono do monstro ao abandono do povo brasileiro.

A invasão do bloco Pagu em São Paulo

Atrás de uma bateria composta por 80 mulheres, foliões héteros, do movimento LGBT e famílias formavam o bloco Pagu. O grupo feminista paulistano, que aposta na união e na resistência feminina, levou às ruas não só mensagens de empoderamento, mas um ambiente seguro para as mulheres se divertirem ao som de músicas tradicionais cantadas por intérpretes femininas. 

Na história brasileira, Pagu era jornalista, escritora e poeta, e foi considerada a pivô da reviravolta modernista no país. Ela defendia com unhas e dentes a antropofagia de Oswald de Andrade, a libertação sexual da mulher e a busca por sua autossuficiência amorosa.

A propaganda contra o assédio no Recife

Cartaz campanha contra o assédio recife

No Recife, a administração municipal lançou o Pequeno manual prático de como não ser um babaca no Carnaval. Com linguagem despojada e expressões regionais, o material literalmente desenhou aos foliões a diferença entre assédio e cantada e ganhou várias edições.

Se tá difícil de entender, a gente desenha! Brinque o Carnaval com respeito”, dizia a primeira delas. “Beijo forçado é crime. Além de ser coisa de mamão”, afirmava outra mensagem da campanha, que foi ganhando a internet.

No Recife, “mamão” é uma gíria que identifica uma pessoa babaca. A iniciativa trouxe ainda a hashtag #BabacaNãoTemVezNoCarnaval.

O corpo livre das folionas

Giselle Batista com tatuagem nos seios

No Carnaval de 2018 teve mulher de body, de biquíni e de shorts curto. Foi a edição mais empoderada dos últimos anos. Isso porque o corpo feminino passou de objeto para se transformar em um instrumento de protesto. Famosas e anônimas aderiram aos adesivos nos seios, uma das tendências por todo o país. A cantora Anitta e as atrizes Giselle Batista e Bruna Marquezine foram algumas.

Confira os vídeos do Bar de Batom no YouTube

As manifestações no corpo

As brasileiras criaram uma frase marcante para a luta contra o assédio durante o Carnaval, que foi vista tatuada em celebridades e diversas mulheres: Não é não. Uma mensagem simples e clara estampada no peito, nos braços e até nas nádegas para que os homens entendam que não importa a pouca roupa nem o excesso de álcool. Não é não. 

Por meio de um crowdfunding e de uma extensa rede de apoio, foram produzidas 27 mil tattoos temporárias com os dizeres que acabaram distribuídas em blocos de Salvador, São Paulo, Olinda e Belo Horizonte.

Foto: Divulgação/Instagram Aracy Roza