Executivas da música enviam carta ao presidente do Grammy

Documento diz que a organização está 'fora de contato com a música de hoje'

Publicado em 06/02/2018
Neil Portnow em apresentação do Grammy

A 60ª edição do Grammy aconteceu no último dia 28, mas ainda está rendendo assunto. Nesta segunda-feira (5) as principais executivas do universo da música enviaram uma carta ao conselho de administração da Academia de Gravação pedindo por mais inclusão e transparência. 

A medida foi tomada depois que artistas como Pink e Kelly Clarkson se pronunciaram perante a declaração de Neil Portnow, presidente da Recording Academy, onde afirmou que as mulheres na música precisavam "se definir" para avançar em suas carreiras.

Pink usou seu Twitter para afirmar que "as mulheres na música não precisam se ‘definir’ - mulheres têm feito isso desde o início dos tempos. Elas dominaram a música neste ano e em todos os anteriores. Quando celebramos e honramos o talento e realizações das mulheres contra todas as desigualdades, mostramos para as próximas gerações de mulheres, garotas, homens e meninos o que significa a igualdade, e o que significa ser justo."

A carta enviada nesta segunda, assinada por seis das mulheres mais poderosas da indústria musical, foi obtida pelo The New York Times e contém declarações afirmando que a organização está "lamentavelmente fora de contato com a música de hoje, o mercado e, ainda mais, com a sociedade."

O documento levou a assinatura de Michele Anthony, vice-presidente executiva da Universal Music Group; Jody Gerson, presidente-executiva do braço editorial da Universal; Julie Greenwald, co-presidente da Atlantic Records; Sylvia Rhone, presidente da Epic Records; Julie Swidler, conselheira geral da Sony Music; e Desiree Perez, diretora de operações da Roc Nation.

O conteúdo da carta deixa de chamar a atenção para a remoção de Neil Portnow do cargo para destacar problemas mais profundos. "Os comentários de Neil Portnow não são um reflexo de ser 'inarticulado' em uma única entrevista. Eles são, infelizmente, reflexo de um problema muito maior com a organização NARAS, como as questões de inclusão em todos os dados demográficos", escreveram elas.

No fim da tarde Portnow respondeu à carta com uma breve declaração: “Agradecemos os pontos levantados na carta e recebemos a oportunidade de trabalhar, juntamente a essas executivas, para aumentar a inclusão, representação, equidade e diversidade em nossa comunidade. À medida que estabelecemos os detalhes em torno da nossa tarefa recentemente anunciada, procuraremos sua contribuição e orientação."

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Grammy teve apenas uma vencedora mulher

Com a disseminação do movimento #MeToo em Hollywood, a mídia tem buscado evidenciar o silêncio do mundo da música sobre o assunto. De acordo com a publicação do The New York Times, um recente relatório acadêmico destacou o baixo histórico de diversidade de gênero na música e nos Grammys, onde nos últimos seis anos apenas 9,3% dos candidatos foram mulheres. Este ano ainda, somente uma mulher ganhou um prêmio solo durante a cerimônia, Alessia Cara, como artista revelação.

A cantora Lorde, única candidata feminina na categoria álbum do ano, costurou em seu vestido um poema provocativo da artista Jenny Holzer:

 

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"Regozijai-vos! Nossos tempos são intoleráveis.Tenha coragem, pois o pior é um presságio de algo melhor. Apenas uma circunstância terrível pode precipitar a queda dos opressores. O antigo e o corrupto devem ser destruídos antes que o justo possa triunfar. A contradição será cada vez maior. O apocalipse florescerá."

Após as críticas envolvendo o nome de Neil Portnow, a organização do Grammy anunciou a criação de uma força-tarefa para revisar seu trabalho, com o objetivo de "superar as barreiras explícitas e os preconceitos inconscientes que impedem o avanço feminino na comunidade musical".

Foto: Reprodução/YouTube