Ex-executiva da Pandora, Rachel Maia vai escrever livro

Vinda da periferia, ela conquistou o núcleo empresarial brasileiro

Publicado em 10/04/2018
Rachel Maia

A história da ex-executiva da joalheria Pandora, Rachel Maia (47), vai virar um livro. Ela abriu mão do cargo no último dia 28 de março, mas deixou muitos admiradores no meio empresarial brasileiro. Isso porque foi ela quem comandou a expansão da rede que, só em lojas físicas, foi de 2 para 98 unidades entre 2009 e 2018. 

A executiva formou-se em Ciências Contábeis nas Faculdades Metropolitanas Unidas e  trabalhou na rede de lojas de conveniência 7-Eleven nos anos 90. Quando essa empresa deixou o Brasil, Rachel decidiu usar o dinheiro que recebeu da rescisão para estudar em Vancouver, no Canadá. Ela ainda faria outros cursos na USP, na Harvard Business School e na Fundação Getúlio Vargas. Antes de assumir o comando da Pandora no Brasil, trabalhou sete anos como diretora financeira da joalheria Tiffany & Co. no país.

Rachel agora pretende mostrar a sua história para inspirar outras mulheres. "Acho que, de uma forma muito simples, eu sou um dos exemplos. Existe uma história, uma trajetória, e as pessoas curtem a minha. As pessoas sabem que eu vim da periferia. Quando eu morava no Canadá, por um ano e meio eu fazia uma refeição por dia, porque eu não tinha como pagar. Ou eu pagava os estudos ou comia. Fui lá para estudar. Eu comia às 3h da tarde, já estava vendo estrelinha. Isso é real. E você trazer histórias reais que se assemelham à sua trajetória, eu acho que é bom", disse ela em entrevista à revista Claudia.

Vida pessoal

Após a saída da empresa, Rachel pretende fazer um período de reflexão, deseja participar de um curso de mindfulness e cogita um programa em Harvard. Além disso, ela também avalia ministrar palestras. "Esse também é um dos meus propósitos nesse período, porque eu quero continuar mostrando para as mulheres que o show deve continuar. Independentemente das dificuldades, dos momentos de reflexão, da luta que você está vivendo, o seu show não pode parar, pelo contrário. E eu acho que, neste momento de conhecimento, de saber até onde a gente pode ir, nós precisamos umas das outras. Então é importante continuar tendo uma voz ativa. E essa voz ativa, de uma forma muito segura e respeitosa, eu vou continuar fazendo sim.”

Rachel também quer dedicar mais tempo para a família. A ex-executiva tem uma filha adotiva, Sarah Maria, de seis anos, e prometeu à menina que vai encontrar um irmãozinho para ela. "´A mamãe já foi aprovada, mas não estava com tempo, agora nós duas vamos procurar juntas, nos abrigos, onde de fato está o seu irmãozinho.”

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Mulheres

É clara a sua preferência por empresas que tenham como política valorizar a mulher e a diversidade, mas ela acredita também na importância da representatividade no dia a dia. “Temos de ser repetitivas. Dizer a toda hora ‘você pode, você merece, aquele lugar pode ser seu’.”

Apesar disso, Rachel não nega que existe competitividade feminina no meio corporativo, entretanto ela afirma que esse comportamento vem mudando, uma vez que hoje as mulheres sabem compreender que têm de se preocupar umas com as outras a fim de não prejudicar o avanço. “A gente tem que entender que a fortaleza de uma pode ser a fraqueza de outra, mas que, todas juntas, nós nos tornamos fortes, e vejo isso acontecer de forma genuína.”

Foto: Reprodução/Instagram