Estudo mostra que camisinha ainda é tabu entre as mulheres

Antropóloga comenta dupla moral sexual que continua envolvendo o preservativo

Publicado em 23/11/2017
Mão feminina segurando camisinha

Com dados divulgados nas últimas semanas nas redes sociais, o Estudo Olla de Comportamento Sexual vem mostrando que a igualdade de gênero ainda é um tabu na prática. A entidade entrevistou 1 mil pessoas entre 18 e 35 anos de todo o Brasil a fim de compreender o que pensam homens e mulheres sobre camisinha. E já o primeiro dado é assustador: 52% das mulheres e 47% dos homens nunca ou raramente usam preservativo.

O pior é que, para as mulheres, o não uso da camisinha está relacionado ao desconforto em adquiri-la: 42% dizem que é muito desconfortável e 37% se sentem julgadas no momento da compra. Ao responderem à mesma pergunta, 72% dos homens declararam achar natural e tranquilo comprar camisinha.

O constrangimento e a vergonha parecem estar relacionados ao medo de serem julgadas como promíscuas, enquanto os homens não sofrem o mesmo julgamento. É a dupla moral sexual: os homens são mais livres sexualmente e até mesmo estimulados a terem uma vida sexual ativa e diversificada. Já as mulheres ativas sexualmente seriam representadas socialmente de forma muito negativa”, comentou a antropóloga Mirian Goldenberg, especialista em comportamento feminino, em entrevista ao site da revista Marie Claire publicada nesta quarta-feira (22) sobre os dados da pesquisa.
 
Outro ponto relevante do Estudo Olla de Comportamento Sexual é o baixo número de mulheres que levam camisinha na bolsa. Enquanto 45% dos homens declararam estar sempre com o preservativo, somente 29% das mulheres o carregam. Mais um descompasso, uma vez que 77% delas acham que deveriam sempre levar camisinhas na bolsa.

Outro dado alarmante é que 63% das mulheres pesquisadas já fizeram sexo sem camisinha porque nenhum dos dois tinha preservativo.

Para Mirian, ainda existe uma defasagem entre discursos, comportamentos e valores, o que se reflete nos dados da pesquisa. "Apesar de defenderem uma maior igualdade de gênero em seus discursos, elas [as mulheres] têm medo do julgamento e do preconceito dos outros a respeito de seus comportamentos sexuais. Neste sentido, a vergonha não é necessariamente do parceiro, mas é uma vergonha cultural, vergonha de não corresponder a um modelo de ser mulher que controla ou reprime a própria sexualidade", coloca. "A mulher livre sexualmente é uma mulher que sofre acusações e que, também, internalizou as acusações e preconceitos sociais existentes”.

Mulheres com Pegada

Estudo Olla de Comportamento Sexual gerou a campanha #MulheresComPegada, estrelada pela slammer Mel Duarte. A iniciativa foi lançada em setembro, quando a marca colocou uma máquina de camisinhas na Avenida Paulista, em São Paulo. Na ocasião, também chamou a atenção que 672 homens pegaram preservativos, contra apenas 238 mulheres.

O levantamento foi feito na mesma época, cujos dados vêm sendo divulgados no Facebook da Olla nas últimas semanas. 

Foto: Reprodução/Pinterest