Entrevista com a jornalista Joice Hasselmann

Ela falou sobre corrupção, projetos pessoais e até feminismo

Publicado em 22/03/2017
Entrevista com a jornalista Joice Hasselmann

Mesmo personalidades consolidadas em outras mídias têm utilizado o YouTube para aumentar ainda mais o volume de sua voz e ganhar mais alcance. Uma dessas pessoas é Joice Hasselmann, jornalista com passagens por conceituados veículos de comunicação como revista Veja, rádio Band News FM e Rede Record, e que agora possui um canal na plataforma com mais de 400 mil inscritos, no qual debate política.

Com opinião forte e muitas vezes ácida, ela frequentemente entra em guerra com políticos ao denunciar esquemas e divulgar investigações. Além de se posicionar de forma bem clara em relação à política, Joice usa o YouTube para incentivar o povo a lutar pelos seus direitos e, quem sabe, mudar o caminho do Congresso Nacional.

Joice Hasselmann concedeu uma entrevista exclusiva ao Bar de Batom, onde comentou o impacto causado por seu canal no cenário político, as dificuldades de combater a corrupção em um país como o Brasil. Contudo, criticou o feminismo. Confira:

De onde e quando veio a ideia de criar o canal no YouTube?

Essa ideia surgiu depois da Veja, onde eu trabalhei com a TV online (TVeja), que era uma plataforma que possuía uma proposta bem definida. As pessoas querem mídia imediata no celular, então durante a campanha para o segundo mandato da Dilma Rousseff houve uma reviravolta política muito grande. Na época, inclusive fiz um vídeo pesado contra Dilma e Lula, que teve muita repercussão. Antes disso, já havia passado por veículos como a Band News FM, CNN e SBT, além de falar de política na Rede Record. Ao sair da Veja e começar a me manifestar no Facebook, alguns amigos, seguidores e conhecidos que trabalham com marketing me indicaram o YouTube, e foi sucesso instantâneo.

Como foi o começo dessa jornada de gravar os próprios vídeos?

Depois da TVeja, comecei a gravar vídeos na minha própria casa, então no Paraná, para colocar no Facebook, e isso dava muito retorno. Milhões de pessoas eram alcançadas. Primeiramente eu queria criar um site, que hoje está em produção, mas quando vieram as sugestões do YouTube, eu lancei meu canal exatamente nas manifestações de 13/06, e foi sucesso logo no primeiro dia, porque muito do meu público já correu para o Youtube. 


Além de possibilitar a divulgação das suas opiniões para tantas pessoas, o que mais o projeto tem rendido?

Isso me rendeu muitos frutos e reconhecimento. Em questão de semanas eu já cheguei em 100 mil inscritos, além do Google considerar o meu canal o único do gênero, gerido por uma mulher falando de política para uma massa tão grande. São pessoas de todos os lugares do mundo que me assistem, especialmente EUA, Japão, Coreia, Itália… Hoje estou fechando uma parceria com uma das maiores empresas de Network do mundo no Youtube e fui convidada a escrever mais um livro, depois de fazer um sobre Sérgio Moro. Esse próximo vai tratar da queda da esquerda no Brasil.

Confira os vídeos do Bar de Batom no YouTube

Comentar e acompanhar a política em um país com tantos escândalos como o Brasil é muito deprimente?

Não diria que me estressa ou deprima falar de política. Meu estresse é contra os políticos e o que fazem contra o país. Há alguns anos, a política era um assunto de pouco interesse da população, inclusive muitos diziam que não se importavam ou que não gostavam, mas hoje existe um engajamento maior da população pela causa do país. Posso dizer que me liberto quando mostro os fatos para o público, porque é muito importante promover essa educação política. Mesmo se concordam ou não, as pessoas debatem, e isso é recompensador, embora exija uma rotina cansativa.

Você ocuparia um cargo político?

Isso é sempre perguntado a mim, e a minha resposta é sempre a mesma. Já fui convidada por vários partidos antes de vir para São Paulo, inclusive dois ministros estão sempre na minha cola convidando. Minha resposta é “não”, sempre. Nas últimas eleições nacionais, inclusive, houve uma sondagem muito forte para que eu concorresse ao governo do Paraná por um partido de médio porte. Até o Eduardo Campos chegou a conversar comigo antes do acidente trágico, mas nunca mudei de ideia. Posso citar outros episódios, como quando um “puxador de votos” me pediu para concorrer ao cargo de deputada federal ou senadora em São Paulo e no Paraná. Não, muito obrigada.

Como você acredita que seu trabalho influencia a política brasileira?

Eu faço um papel político sem roubar, incentivo a renovação, incentivo que o povo tire todo esse congresso atual, os “Renans” da vida. Tenho certeza que influencio positivamente a população mais do que dez deputados juntos. Minha palavra é forte, então pego no pé dos políticos, até da presidência, porque todos esses nomes devem ser massacrados pelo povo. Como eu disse, eu não ocuparia um cargo político, mas faço minha parte de outras formas. Deus teria que vir pessoalmente até mim e ordenar que eu aceitasse um cargo, só assim mesmo.


Você sofre muitas ameaças de pessoas insatisfeitas com seus comentários?

Desde sempre. Para fazer o que eu faço, é preciso saber que você estará sempre em guerra com alguém, então por coisas assim já precisei ser escoltada durante meses, recebi ameaças constantes, inclusive contra a minha família. Fiquei apavorada, e para buscar proteção, saí do Brasil com a minha filha. Depois dessas ameaças, a polícia federal já possui provas e indícios dos criminosos. Para você ter uma ideia, em um só dia, recebi 66 e-mails com ameaças, fotos de pessoas parecidas comigo e com a minha filha sendo executadas pelo Estado Islâmico, vídeos de tortura, mortes… Chegaram a ameaçar Janaína Paschoal, que participou da denúncia pelo impeachment de Dilma Rousseff. Chegaram ao cúmulo de fazer extorsão, ameaçando inclusive matar Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.

Você cogita parar com esse trabalho para ter mais segurança?

Eu nunca vou desistir de lutar contra a corrupção, e sei que isso equivale a bater de frente com bandidos, não só políticos, mas também outros setores, como policiais. Participei de uma denúncia contra a corrupção de policiais num caso onde uma menina de 14 anos foi morta, mas o esquema incriminou pessoas inocentes. Depois que reuni provas e denunciei, dezesseis delegados foram para a cadeia. Posso dizer que ganho forças durante as ameaças e sei que quem ama o Brasil não vai se calar.

As mulheres já conquistaram o respeito da população como figuras políticas ou ainda estamos muito atrasados nesse ponto?

Eu acho sim que faltam mulheres na política, mas não gosto dessa conversa. O congresso precisa ser ocupado com gente decente - homem ou mulher. Eu não gostei muito do pedido do presidente Michel Temer por mulheres nos cargos dos ministérios, porque isso não é uma questão de gênero. Eu defendo quem ama o Brasil e ele precisa de gente mais forte, mas muitos e muitas desistem ao ver os problemas atuais.

Qual o nível de machismo que ainda existe na política brasileira?

Como eu disse, não vejo muito fundamento nesse assunto. Para mim, o real problema é que os grandes chefes dos partidos, os “caciques velhos” que estão nesse meio há 50 anos, como Sarney, Renan, Lula e até Temer, erram em selecionar candidatos que não são adequados ou capacitados. Os partidos precisam renovar. Para mim, essas questões sobre o feminismo não buscam só direitos das mulheres, mas também defendem causas que são perda de tempo. 

Mas você é feminista, ou pelo menos apoia o movimento?

Eu não sou feminista e posso dizer que abomino o movimento. As mulheres não precisam ir às ruas com os seios à mostra com cartazes pedindo o direito de abortar, a aceitação para ter pelos nas axilas ou expressar comportamentos masculinos. O que é necessário é manter a espinha ereta para serem mulheres fortes, até porque as mulheres fazem e podem fazer absolutamente tudo que os homens fazem, e ainda com salto alto. Não sofro machismo, não conseguem me diminuir em nada, e ai de quem tentar. Não sou feminista, sou feminina.

Para acessar o canal da Joice Hasselmann, clique aqui.

Foto: Divulgação