Editora feminista chilena lança manual de autodefesa

Cartilha ensina golpes para mulheres se defenderem

Publicado em 03/05/2018
Manual de autodefesa

No Chile, a Microeditorial Amistad, uma pequena editora feminista e independente, está produzindo uma cartilha que ensina mulheres a se defenderem. A partir da ideia de empoderar mulheres para acabar com a cultura do medo, Tarix Sepúlveda encomendou aos ilustradores Cristian Toro e Nicolás González um zine ilustrado que está ganhando fama nas redes. Minimalista e bastante direto ao ponto, o guia oferece o passo a passo de movimentos de autodefesa. A proposta é que o manual seja também uma crítica à forma como a força machista é empregada sobre as mulheres.

manual de autodefesa feminina

"Vivemos em um mundo violento, machista e patriarcal que nos ensina a sentir medo e, além disso, nos faz crer que as histórias não podem ser transformadas pela nossa vontade”, disse a equipe da editora em entrevista ao site Nexo. “A mensagem do manual é que podemos nos defender.” 

No miolo da publicação, o único texto a acompanhar as imagens está em legendas objetivas que dão nome aos golpes ensinados: “golpe baixo”, “ataque frontal”, “a emancipadora”, “não toque o meu cabelo!”, entre outros.

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manual de autodefesa

Apesar de ser o único país sul-americano a ter uma mulher na presidência atualmente, o Chile enfrenta uma onda crescente de violência contra as mulheres semelhante ao Brasil. Nesta semana (30), um caso de estupro coletivo chocou o país. Uma mulher de nacionalidade argentina, de 28 anos, foi estuprada por um grupo de homens vestidos de torcedores da Universidad de Chile logo depois do jogo que o time de futebol disputou contra a Universidad de Concepción.

Segundo informações do site El País, a vítima está internada em estado de choque em uma clínica na zona leste de Santiago e a identidade dos agressores é desconhecida, embora a polícia esteja estudando imagens que registraram a agressão. No ano de 2017, segundo a contagem da organização “Red Chilena contra la Violencia hacia las Mujeres”, houve 65 feminicídios no país.

Foto: Divulgação