Dupla reúne histórias de empreendedoras pelo mundo

Projeto Girls On The Road vai virar documentário

Publicado em 22/09/2017
fernanda moura e taciana mello girls on the road

As brasileiras Fernanda Moura e Taciana Mello estão viajando o mundo em busca de histórias inspiradoras sobre mulheres empreendedoras. O objetivo do projeto Girls On The Road, que vai virar documentário, é identificar, entrevistar e compartilhar histórias femininas que impactaram de alguma forma a realidade delas.

A ideia surgiu de um incômodo quando elas moravam no Vale do Silício. "A gente começou a se perguntar onde estavam as mulheres diretoras e donas de empresas. O gender gap existe até no Vale. Queremos contar a história dessas mulheres empreendedoras e trocar informações", explicou a dupla em entrevista ao HuffPost Brasil.

O plano inicial era entrevistar empreendedoras em mais de 20 países, que foram selecionadas por meio do ranking da Female Entrepreneurship Index (2015), elaborado pelo Global Entrepreneurship and Development Institute (GEDI). Um ano depois, foram 16 países, quase 250 entrevistas realizadas e mais de 80 mil km viajados - o projeto tem sido absolutamente transformador. 

O aspecto transformador se dá porque elas ouvem muitas histórias diferentes de mulheres: desde a garota jovem que desenvolve a sua própria startup, passando por mulheres que se arriscam no empreendedorismo como forma de sobrevivência.

Na Nova Zelândia, a dupla se deparou com uma refugiada que havia deixado o Irã por conta de perseguições políticas. Após ela e a família terem o asilo negado em Dubai, Canadá e Estados Unidos, finalmente conseguiram um abrigo no país da Oceania.

"Ela não tinha perspectiva nenhuma de transformação, mas tinha acumulado diversas experiências. E ela não carregava aquele estereótipo que a gente pensa de uma pessoa triste ou desacreditada. Na Nova Zelândia, a primeira coisa que ela fez foi começar a estudar. Então, se envolveu com design e montou um negócio pequeno, mas cheio de propósito, resultado de tudo que já tinha vivido. Hoje está super bem", compartilhou Taciana.

Porém, um ponto em comum nas empreendedoras entrevistadas foi esse discurso de não deixar ninguém barrar a sua capacidade. Para as documentaristas, as mulheres que entrevistaram poderiam ter se acomodado e adotado o discurso das dificuldades profundas, do sexismo, da jornada tripla de trabalho, mas o cenário foi diferente.

"Em cada país, encontramos mulheres que se recusam a acreditar que não se pode mudar, que não conseguem, que não podem, que não devem - pelo contrário. E apesar de todos os 'nãos', elas têm construído negócios e resolvido problemas do dia a dia, do nosso futuro, impactando a comunidade a seu redor e ambicionando, sim, mudar o mundo e ganhar dinheiro também, claro. Temos conhecido e nos emocionado com mulheres liderando negócios sob as mais diversas circunstâncias e provado, todos os dias, que não há um único jeito, há o 'seu jeito'", escreveram à Época Negócios.

Dificuldade de empreender

Gravação do Girls on the road

Para Taciana, o empreendedorismo feminino não tem destaque porque ninguém conta essas histórias. "Há mulheres fantásticas desempenhando papéis transformadores, mas temos ainda a régua masculina como referência", explicou ao Estadão

Fernanda ainda conta que chega um momento na carreira da mulher que ela fica estagnada por conta do machismo. "Investidores a tratam de forma infantilizada. Conhecemos uma empreendedora australiana que ouviu de uma investidora que não injeta capital em startups de mulheres porque elas têm um papel dentro de casa. Elas sentem que têm de dar muito mais justificativa porque quiseram ser empreendedoras do que os homens. Na outra ponta, muitas escolhem o empreendedorismo por causa do machismo no ambiente de trabalho".

É preciso reconhecer as diferenças para pensar na igualdade

Gravação do Girls on the road

Fernanda e Taciana afirmam que reconhecer as diferenças entre homens e mulheres é o primeiro passo para se pensar em uma sociedade mais justa. "Devemos nos concentrar no óbvio, mas absolutamente fundamental: homens e mulheres são diferentes. Entretanto, isso não quer dizer que nós, mulheres, sejamos menos capazes. Reconhecer que homens e mulheres são diferentes é o primeiro passo e mais importante ainda que a igualdade que se busca é de oportunidades, desafios, remuneração, possibilidades, participação, voz ativa", afirmaram em entrevista à Época Negócios

A dupla segue viajando até outubro, entrevistando mulheres para dar forma ao documentário. Para seguir Fernanda Moura e Taciana Mello, acesse o site ou o Facebook do projeto. 

Fotos: Divulgação/Girls On The Road