Discurso de sororidade de Frances McDormand dá o tom ao Oscar

Ela ganhou a estatueta de Melhor Atriz por 'Três Anúncios para um Crime'

Publicado em 05/03/2018
Frances McDormand em discurso no Oscar 2018

Todas as mulheres que concorreram ao Oscar 2018 se levantaram durante a premiação neste domingo (4) a pedido da vencedora da noite Frances McDormand ("Três Anúncios Para Um Crime"). Em seu discurso de agradecimento, ela convocou as colegas indicadas e deu o exemplo do significado da palavra sororidade.

"Olhe em torno, senhoras e senhores, porque todos temos histórias para contar e projetos que precisamos financiar. Não nos fale sobre isso nas festas, convide-nos para o seu escritório em alguns dias, ou você pode vir ao nosso, o que melhor para você, e nós contaremos", disse a atriz. Ela terminou seu discurso pedindo inclusão contratual obrigatória em filmes: "Tenho duas palavras para sair com você esta noite: inclusion rider".

Especificamente, "inclusion rider" é uma cláusula que exige que o elenco e a equipe técnica tenham um certo nível de diversidade. Esse conceito apareceu em 2016, durante um TEDTalk de Stacy Smith, fundadora e diretora da Annenberg Inclusion Initiative. Stacy examinou dados de diversidade em produções americanas e chegou à conclusão de que os números refletiam a demografia da vida real.

Nos bastidores, McDormand disse que o recente progresso na diversidade e inclusão não começou na cerimônia do Oscar deste ano. Ela afirmou ao site Variety que "Moonlight", vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2017, foi o começo de um impulso que começou a reconhecer diferentes vozes e histórias.

"Três Anúncios Para um Crime", protagonizado pela atriz, era um dos favoritos na principal categoria da noite, mas levou apenas outra estatueta, por Melhor Ator Coadjuvante, com Sam Rockwell.

Jodie Foster e Jennifer Lawrence anunciaram o prêmio, que tradicionalmente é apresentado pelo ganhador do Oscar de Melhor Ator do ano anterior. Por conta de acusações recentes de assédio, Casey Affleck teve sua participação cancelada pela Academia.

Longa com protagonista transexual vence em Melhor Filme Estrangeiro 

"Uma Mulher Fantástica" foi o primeiro filme estrelado por uma pessoa transexual a levar o Oscar. O filme chileno ganhou o prêmio de melhor longa estrangeiro. A atriz Daniela Vega interpreta Marina, uma jovem em luto e vítima dos preconceitos da conservadora sociedade chilena.

Além de atriz, Daniela, de 28 anos também é cantora lírica. A música e o teatro foram seus trabalhos principais antes de ser chamada para sua estreia como protagonista.

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Todas contra Harvey Weinstein

Não havia um código de vestimenta no tapete vermelho do Oscar 2018, como aconteceu no Globo de Ouro, quando todas as mulheres vestiram preto em forma de protesto. Mas as atrizes Ashley Judd, Annabella Sciorra e Salma Hayek, vítimas de Harvey Weinstein, produtor acusado de assédio e até de estupro, subiram juntas ao palco para lembrar justamente as mulheres corajosas que denunciaram abusos. Elas apresentaram um vídeo com depoimentos de diversas personalidades enfatizando as denúncias. 

Entre as entrevistadas, estavam Mira Sorvino (também acusadora de Weinstein), Greta Gerwig (indicada a melhor direção), Jordan Peele (vencedor de roteiro original), Ava Duvernay (diretora de "Selma" e "Uma Dobra no Tempo"), Kumail Nanjiani (indicado a roteiro adaptado por "Doentes de Amor"), e Geena Davis (estrela de "Thelma & Louise" e fundadora de um instituto para promover igualdade de gênero no entretenimento).
 

Jimmy Kimmel faz monólogo em prol das mulheres

Na abertura da cerimônia, o apresentador Jimmy Kimmel fez um monólogo para lembrar de Weinstein e dos casos de assédio, além de colocar o dedo na ferida sobre a diferença salarial entre homens e mulheres na indústria cinematográfica. Ele lembrou do caso de Mark Wahlberg e Michelle Williams na refilmagem de "Todo Dinheiro do Mundo" e apontou que apenas 11% dos filmes são feitos por mulheres.

O foco na representatividade aconteceu tanto no discurso quanto na premiação, apesar de Greta Gerwig, que concorria ao Oscar de Melhor Diretora por "Lady Bird", não ter levado o prêmio.  

Mas a polêmica dos "Oscars so White" (Oscar muito Branco) ficou para trás. O diretor Guillermo Del Toro, com o premiado "A Forma da Água", se tornou o terceiro mexicano a ganhar o prêmio. Jordan Peele ganhou Melhor Roteiro Original com o filme "Corra!", que discute questões raciais. Enquanto James Ivory levou o prêmio de Melhor Roteiro Adaptado por "Me Chame pelo seu Nome", que tem como foco uma relação homossexual. E a Melhor Animação ficou com "Viva! A Vida é Uma Festa", que narra uma história inspirada no feriado mexicano do Dia dos Mortos. 

Foto: Divulgação/Instagram