Diário retrata a vida de mulheres em fábricas de roupas

Estudo mostra as condições de trabalho em Bangladesh, Camboja e Índia

Publicado em 13/03/2018
mulheres indianas no filme True Cost

Não é de hoje que o trabalho escravo em países asiáticos é discutido. Filmes como "True Cost" (2015) trazem à tona o problema nas indústrias têxteis da região. Um projeto de pesquisa revelou em números as condições de trabalho de mulheres que fabricam roupas em Bangladesh, Camboja e Índia.

O estudo resultou em um documento chamado Garment Workers Diaries (Diários de Agentes do Vestuário, em livre tradução). O projeto foi criado pela Microfinance Opportunities (MFO), uma fundação sem fins lucrativos, e financiada pela C&A Foundation. O Fashion Revolution, que tem mostrado os caminhos para uma nova produção de moda, liderou a pesquisa, que durou 12 meses e levou os pesquisadores a visitar 540 trabalhadoras em suas casas, a fim de recolher informações sobre salários, condições de trabalho e seus hábitos regulares.

Em Bangladesh, o segundo maior exportador de vestuário do mundo, é onde as mulheres trabalham mais e ganham menos. São 60 horas por semana para receber apenas 95 centavos de dólar por hora (R$ 3,08 em livre conversão). No Camboja, as mulheres precisam fazer hora extra para melhorar a condição de vida. Elas trabalham em média 48 horas por semana e ganham 2,53 dólares (R$ 8,22 em livre conversão). Na Índia, as trabalhadoras ganham um salário mínimo ou superior, e conseguem pagar previdência e seguro estadual, mas mesmo assim os valores são baixos: 46 horas por semana e 2,27 dólares a hora (R$ 7,37). 

Além das jornadas de trabalho exaustivas e baixos salários, os pesquisadores descobriram que as trabalhadoras, principalmente as da Índia, são expostas a abusos verbais de supervisores e todas dependem da renda dos maridos. 

A MFO, Fashion Revolution e a Fundação C&A afirmam que o material é uma ferramenta para começar uma mudança efetiva. "Esta é uma oportunidade para os principais interessados globais trabalharem em colaboração e provocarem mudanças sistêmicas no setor do vestuário."

Foto: Divulgação/True Cost