Conheça terapias alternativas para quem deixa de usar pílula

Acupuntura e terapia floral são ótimas contra problemas como cólicas e acne

Publicado em 07/08/2017
Terapias sem efeitos colaterais para quem deixa de usar pílula

Liberada para uso contraceptivo nos anos 1960, a pílula anticoncepcional, desde então, passou por altos e baixos. De lá para cá, versões do medicamento foram tiradas do mercado e outras foram surgindo, com o propósito de causar menos efeitos colaterais ao organismo das mulheres.

Em meio a tantas novidades, o fato é que, nos últimos anos, tem crescido o número de garotas e mulheres que abandonaram o uso da então pílula revolucionária - que justamente pelo aumento do risco desses efeitos não é mais encarada unanimemente como uma revolução. 

Polêmicas à parte, é importante que a mulher que antes usava - ou pretende não usar mais - o medicamento, o faça com o acompanhamento do ginecologista. Ainda, ela deve estar atenta a sintomas que podem reaparecer com a interrupção do uso, como a incidência de cólicas fortes e inflamações de pele, caso já sofresse com esses sinais antes de começar a ingerir a pílula. 

"Normalmente, demoram alguns poucos meses para que os sintomas antigos retornem, mas na grande maioria dos casos, com a interrupção, eles voltam à situação de antes do uso da pílula", afirma o ginecologista Ricardo Iannarella, do Hospital Caxias D’Or (RJ).

Mas a pílula não é a única saída para abandonar esses males de vez. Se o uso da camisinha é uma alternativa na contracepção quando o medicamento não é mais utilizado, outras terapias sem efeitos colaterais podem ser a solução  (e a revolução) no alívio de cólicas e acne - dois grandes motivos que levam muitas mulheres, ainda na adolescência, a usar o medicamento. Veja quais são eles:

Contra cólicas

Terapias sem efeitos colaterais para quem deixa de usar pílula

Por diminuir a produção de prostaglandinas - substâncias liberadas na menstruação e responsáveis pelo estímulo às contrações - é que a pílula anticoncepcional acaba se tornando muitas vezes a principal aliada contra as temerosas cólicas.

Em segundo lugar vêm os analgésicos. Contudo, para quem quer evitar a farmácia e aliviar, ou mesmo prevenir, a cólica, a acupuntura pode ajudar.

"Através da aplicação de agulhas locais no abdômen e à distância, ou seja, em demais localizações do corpo, a acupuntura diminui o uso de analgésicos e antieméticos durante os episódios de cólicas menstruais", explica o ginecologista e acupunturista Luciano Curuci (SP).

As sessões pontuais proporcionam alívio imediato, mas o médico explica que o tratamento contínuo durante cerca de três meses pode ser útil na prevenção do incômodo.

Mais uma terapia benéfica são os florais, que têm ainda a vantagem de englobar uma análise emocional da mulher. A terapeuta floral Sílvia Bacci (SP) afirma que a história da mulher e como ela lida com a menstruação são pontos analisados pelo profissional da área antes de indicar um tratamento. 

"Além dos florais que amenizam a dor, como Elm, do sistema Bach, e Piper, de Saint Germain, é importante que os fatores psicológicos também sejam considerados e os florais correspondentes sejam incluídos na fórmula", ressalta Bacci.

Contra dor de cabeça e náuseas

Terapias sem efeitos colaterais para quem deixa de usar pílula

Pela oscilação de estrógeno durante a menstruação, sentir dores de cabeça não é raro nesse período. Para aliviar essas sensações, mais uma vez os analgésicos acabam entrando em cena - o problema é que às vezes isso acaba se tornando um hábito e pode até mesmo acentuar o desconforto. 

Agora, na contramão desses efeitos colaterais, a acupuntura é útil novamente. "Por se tratar de aplicação de agulhas pelo corpo, promove um benefício no tratamento de patologias ginecológicas sem efeitos colaterais medicamentosos. Ou seja, menor risco de gastrite, trombose venosa profunda ou alteração de níveis de pressão", aponta Curuci, que completa que náuseas e vômitos também são prevenidos pelo uso da técnica chinesa. 

Mas ele alerta que tudo deve ser conversado com o ginecologista. "Obviamente, o tratamento medicamentoso indicado pelo ginecologista deve ser mantido e uma conversa entre ele e o acupunturista da paciente é fundamental para a adequação do tratamento".

Contra acne

Terapias sem efeitos colaterais para quem deixa de usar pílula

Já para cuidar da pele, cosméticos podem entrar em ação. Mas nada de usar o produto que viu na revista ou que deu certo na pele da amiga. "Recomendo que a paciente faça uso de sabonetes e outros produtos para limpeza da pele e tratamento da acne indicado por dermatologista", salienta a dermatologista Denise Chambarelli (RJ). "É feita uma análise individualizada do paciente e analisado cada caso", completa a profissional.

A terapeuta floral Sílvia Bacci ainda destaca que "a pele é a nossa fronteira com o mundo exterior" e, por isso, "os sintomas que afetam a pele estão relacionados às questões de contato, defesa e necessidade de autoproteção".

Nesse sentido, a terapia floral também pode ser bastante útil. Entre os florais de Bach que podem ser utilizados, ela destaca o Crab Apple. "É um dos mais utilizados, principalmente quando há a sensação de impureza e a vontade de eliminar algo que está 'sujando' a pele da mulher", explica.

Ela ainda aponta o Wild Rose e o Larch, eficientes para autoestima. "Se a paciente tem dificuldade de aceitar as mudanças hormonais e adaptar-se a elas, Walnut fará toda a diferença na fórmula elaborada para ela", completa a profissional. 

Já entre os florais de Saint Germain, Sílvia aponta o Gerânio, útil para harmonizar as alterações hormonais, as essências Limão e Leucantha, que trabalham tanto no físico como no emocional, corrigindo possíveis sensações de amargura e, ainda, o floral Arnica Silvestre, que contribui na cicatrização da pele. O ideal é procurar um profissional da área para fazer as indicações e receitar o modo correto de usar. 

Contra ciclos irregulares e pela adaptação do organismo

Terapias sem efeitos colaterais para quem deixa de usar pílula

Se a mulher toma pílula especificamente para corrigir ciclos irregulares, o descompasso entre uma menstruação e outra tende a voltar a ser o mesmo de antes do uso do medicamento. Mas o ginecologista Ricardo Iannarella explica que, dependendo da intensidade, a mulher pode conviver com a irregularidade sem que isso acarrete na saúde.

"A irregularidade é muito comum quando a mulher é bem jovem e inicia os ciclos menstruais, ou quando ela está mais madura e esses ciclos estão próximos a acabar, próximo à menopausa. Desde que essa irregularidade não gere sangramentos importantes ou que a mulher fique muitos dias menstruada ao mês, ou muitos meses sem menstruar (e se incomode com isso), não há problema em conviver com os ciclos irregulares", afirma o médico.

Ele ainda aponta que outros tratamentos hormonais podem ser indicados nesse sentido. Mas os florais, novamente, podem ser a solução. "Como a terapia floral contribui para o equilíbrio geral da paciente, a tendência é que os ciclos menstruais se regularizem também", coloca Sílvia Bacci.

Ainda em relação ao equilíbrio, o tratamento é útil para a mulher se adequar à nova realidade sem pílula. "Walnut é o floral de Bach que auxilia estas transições, e pode ser utilizado em conjunto com Wild Rose, para que haja prazer e alegria nesta reconexão com o feminino", explica a terapeuta. "Quando as mudanças no organismo trazem irritabilidade e tensão nervosa, os florais Lírio da Paz e Patiens são indicados para reestabelecer a tranquilidade e a tolerância".

Suspensão do hormônio é quase imediata

Iannarella completa que a maior quantidade de hormônio deixa o corpo da mulher assim que ela para de tomar pílula. "Atualmente, com as pílulas de baixa e baixíssimas doses, a eliminação do hormônio é quase que imediata após a suspensão de seu uso", atesta o ginecologista. 

Ele também lembra que a menstruação pode atrasar um pouco quando a mulher para de usar o medicamento - independentemente de quadros anteriores de ciclos irregulares. Em casos de uso contínuo por muito tempo, pode demorar até um mês para que a menstruação venha e, nos primeiros ciclos, pode ser um retorno irregular. 

Por Luciana Faria

Fotos: Freepik/Pinterest/Pixabay