Conheça Recy Taylor, mulher citada por Oprah no Globo de Ouro

Estuprada por sete homens nos anos 40, ela denunciou os seus agressores

Publicado em 10/01/2018
Recy Taylor

Oprah Winfrey discursou no Globo de Ouro 2018 de forma brilhante, e o conteúdo de sua fala ecoou por todo o mundo. Uma das histórias citadas por ela durante a cerimônia foi a de uma mulher chamada Recy Taylor.

Nos Estados Unidos, o caso de Recy Taylor (1912-2017) é bastante conhecido. Recy foi uma mulher negra do Alabama que foi a público corajosamente na década de 1940 para denunciar seus agressores brancos por estupro coletivo.

Na época, Recy tinha 24 anos, era casada e tinha uma filha pequena. Tudo aconteceu quando ela voltava para casa a pé após ir à igreja. Ela foi sequestrada sob a mira de uma arma e estuprada brutalmente por sete homens. Eles a deixaram na estrada com os olhos vendados.

"Depois que fizeram tudo o que queriam comigo, me machucaram, eles disseram: 'Vamos levar você de volta. Vamos deixar você na rua. Mas, se você contar para alguém, vamos lhe matar'", contou ela à NPR (Rádio Pública Nacional) em 2011.

Os homens que sequestraram Recy Taylor naquela noite eram: Hugo Wilson, Billy Howerton, Herbert Lovett, Luther Lee, Robert Gamble, Joe Culpepper e Dillard York. Mas apenas um deles confessou o estupro. Entretanto, um júri formado exclusivamente por homens brancos decidiu não indiciar os acusados.

Um mês após o ataque, seis dos homens disseram que estavam dispostos a pagar 100 dólares cada um para que Recy esquecesse a história, porém ela recusou o dinheiro.

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Caso reaberto

ativista rosa parks

A Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP) retomou o caso anos depois. A ativista Rosa Parks (1913-2005; foto), que na época era defensora das mulheres negras vítimas de violência sexual, foi escolhida para ser a investigadora principal do caso de Recy Taylor. A própria Parks tinha sido vítima de uma tentativa de estupro por um homem branco em 1931. 

Com a ajuda da ativista, foi aberta uma segunda investigação sobre os sete estupradores, mas outro júri composto - mais uma vez - exclusivamente por homens brancos se negou novamente a indiciá-los.

Depois de décadas de dor e sofrimento, em 2011 que o Legislativo do Alabama pediu desculpas formais a Recy Taylor por não ter levado seus agressores à justiça.

De volta à mídia

Capa do documentário 'The Rape of Recy Taylor' (O estupro de Recy Taylor)

Em dezembro de 2017, a história de Recy Taylor voltou às manchetes com o lançamento do documentário sobre o que lhe aconteceu: The Rape of Recy Taylor (O estupro de Recy Taylor). 

O caso também foi destacado no livro At The Dark End Of The Street: Black Women, Rape And Resistance ― A New History Of The Civil Rights Movement From Rosa Parks To The Rise of Black Power (No final da rua: mulheres negras, estupro e resistência - uma nova história do movimento dos direitos civis de Rosa Parks para a ascensão do poder negro), lançado em 2010 por Danielle L. McGuire, inédito no Brasil.

Recy Taylor morreu aos 97 anos, no dia 28 de dezembro de 2017 na cidade de Abbeville, Alabama.

Fotos: Reprodução