Conheça o acampamento onde garotas aprendem a ter uma banda

Conversamos com Flavia Biggs, coordenadora do Girls Rock Camp

Publicado em 22/11/2017
Meninas com instrumentos

No dia 22 de novembro é celebrado o Dia do Músico. E mais do que tocar instrumentos, não é exagero dizer que esses artistas acabam também tocando vidas, seja por meio de suas melodias ou de suas próprias carreiras. 

Neste último aspecto especialmente se encaixa a trajetória de Flavia Biggs, guitarrista de Sorocaba, interior de São Paulo, que mais do que inspirar com seus acordes na banda The Biggs, prova a jovens meninas que elas podem ser o que quiser por meio do Girls Rock Camp Brasil.

A iniciativa funciona como um acampamento em Sorocaba, destinado a garotas de sete a 17 anos que, em uma semana, aprendem na prática como é ter uma banda de rock. "Nós ensinamos a experiência completa de ter uma banda - a tocar instrumentos, promovemos grupalização, trabalhamos com a autoestima e damos ferramentas para elas se autoconhecer e se empoderar", contou Flavia, responsável pela coordenação e direção do projeto, em entrevista ao Bar de Batom.

Flavia Biggs

O Girls Rock Camp Brasil é totalmente voluntário - e feminino. Mulheres envolvidas com música e movimentos sociais podem se inscrever para atuar nas oficinas desenvolvidas durante o acampamento. Ao todo, são duas edições por ano do projeto, em janeiro e julho, sendo a versão de meio de ano destinada a mulheres com mais de 21 anos - o Ladies Rock Camp Brasil.

Entre as oficinas oferecidas estão desde composição até defesa pessoal e identidade, sempre promovendo um aprendizado lúdico e em conjunto. "As meninas juntas produzem uma música, cada uma faz um pedaço, como uma experiência de grupalização mesmo, elas aprendem juntas", destaca Flavia.

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ais precisamente, as participantes aprendem a tocar um instrumento - guitarra, baixo, bateria, teclado e voz -, montam uma banda, compõem uma canção autoral, produzem o logotipo da banda, camisetas e, no último dia, fazem uma apresentação. 

Experiência reflete no futuro das meninas

Sempre no dia 11 de outubro, quando se comemora o Dia Internacional das Meninas, é que são abertas as inscrições para os acampamentos. Para a próxima edição do Girls Rock Camp Brasil, que acontece entre os dias 8 e 13 de janeiro de 2018, todas as vagas já estão preenchidas.

Reflexo de um interesse crescente pela iniciativa, conforme aponta Flavia. "No primeiro ano demorávamos cerca de três meses para preencher as vagas, já no ano passado, em três horas não tinham mais vagas. Nós percebemos que as famílias e as meninas têm procurado mais". 

Menina pequena tocando guitarra e segurando mão de instrutora

Para ela, isso também mostra como a sociedade tem se atentado mais ao empoderamento das meninas. E o resultado acaba sendo uma melhora para todas: Flavia conta que as meninas que participam do acampamento acabam melhorando as notas na escola e se sentem mais autoconfiantes - algo transformador para o futuro delas e de toda sociedade.

"A infância é um momento em que você pode romper com coisas que poderiam acontecer no futuro", pontua a guitarrista, que também é socióloga e educadora. "Não necessariamente essas meninas vão continuar tocando, mas só de sentir essa experiência do poder fazer já conta. A música é um quebra barreiras de perceber tanto que elas podem ter uma banda de rock como ser uma quebra completa", conclui.

Serviço

O Girls Rock Camp é uma iniciativa dos Estados Unidos que começou em 2001. A versão brasileira existe desde 2013 e, para maiores informações e inscrições, é só acompanhar o projeto pelo site, Facebook e Instagram. Já a trajetória de Flavia Biggs deve ganhar as telas em breve, no documentário Faça você mesma, que reúne depoimentos dela e de outras mulheres sobre o movimento punk feminista Riot Grrrl (nós falamos mais sobre esse trabalho empoderador nesse post).

Por Luciana Faria

Fotos: Divulgação