Conheça a criadora do canal 'Você é Feminista e Não Sabe'

Angélica Kalil faz entrevistas que abordam o feminismo em diferentes recortes

Publicado em 14/12/2017
Angélica Kalil segurando o livro

Promover debates por meio de entrevistas no YouTube que abordam o feminismo a partir de diferentes recortes. Essa foi a forma que a jornalista e roteirista Angélica Kalil encontrou para fazer com que as pessoas perdessem o medo e entendessem melhor o significado da palavra.

O canal Você é Feminista e Não Sabe é composto por uma série de entrevistas, com nomes como Djamila Ribeiro e Raquel Marques, que propõe uma discussão inclusiva, política e atual sobre o feminismo como um movimento que busca a equidade de direitos entre mulheres e homens.

Ao lado da ilustradora Mariamma Fonseca, Angélica criou um livro ilustrado a partir das conversas divulgadas na plataforma. Foram 15 entrevistas escolhidas para compor a primeira edição da obra com título homônimo, que carrega mais de 60 ilustrações.

Em entrevista ao Bar de Batom, ela contou como foi o processo para o lançamento do livro - que acontecerá em São Paulo no próximo sábado (16) - e revelou que, se antes queria mudar as pessoas que tinham aversão à palavra feminismo, hoje deseja trocar essas experiências apenas com quem tem vontade.

Como nasceu o projeto 'Você é Feminista e Não Sabe'?

Eu queria que as pessoas perdessem o medo e entendessem melhor o significado da palavra feminismo, então comecei a fazer entrevistas sobre o tema e colocar em um canal no YouTube. A ideia sempre foi falar sobre o tema a partir de um recorte inicial.

Como funciona a parceria com a Mariamma Fonseca?

A Mariamma fez a logomarca do canal. Conheci o trabalho dela por causa do site Lady’s Comics, sobre mulheres nos quadrinhos, que ela idealizou. Ficamos amigas e quando eu pensei em ilustrar as entrevistas já lembrei direto do traço dela. Acho as ilustrações da Mariamma, além de lindas, sensíveis, fortes, sobretudo feministas. Os desenhos dela acrescentaram mais conteúdo ainda às entrevistas.

Angélica Kalil e Mariamma Fonseca

E com a Associação Artemis?

A ideia do projeto nasceu também das minhas conversas com a Raquel Marques, que é presidente da Associação Artemis. A ONG é um lugar de troca de informações, sensações e percepções, e um local onde podemos fazer as entrevistas. O lançamento do livro em São Paulo será no Centro Cultural Artemis, em uma celebração do significado da palavra feminismo. 

Quando você se descobriu feminista?

Eu sempre fui feminista, mas só entendi isso e virei ativista mesmo com as questões que a maternidade me trouxe. Tenho uma filha de 10 anos.

Como quebrar os estereótipos que envolvem a mulher que se afirma como feminista?

Acho que um bom começo seria colocar este tema nos currículos e nas conversas escolares. Acredito que temos que perder também o receio de se colocar como feminista. Claro, as que podem fazer isso, tem mulher que morre por se colocar contra o machismo. Mas, na medida do possível, temos que parar de trocar essa palavra por outra. 

Como você lida com as pessoas que torcem o nariz para a palavra feminismo?

Antes eu ficava querendo mudar a pessoa, querendo explicar, querendo convencer. Agora eu não tenho mais essa vontade, eu quero é falar com as pessoas que gostam dessa palavra, quero fortalecer quem já está neste barco, quero trocar com quem tem vontade de trocar. Eu não quero perder tempo, quero aprender com quem está na mesma onda.

Angélica Kalil e Djamila Ribeiro

Confira os vídeos do Bar de Batom no YouTube

Quais dificuldades você enfrenta ainda hoje com o seu projeto?

Para as pessoas que têm o poder de viabilizar financeiramente projetos em geral, tudo que é feito por mulher parece que é menor. Se tem a palavra feminismo, então, é como se fosse algo que incomoda muito, que atrapalha, que é inconveniente. Então, a principal dificuldade é não ter recursos nunca. Mas a gente faz mesmo assim. As entrevistas do canal são feitas sem recursos, graças às amigas e amigos do audiovisual que tocam tudo comigo. Então, fazemos na velocidade que conseguimos. O livro só saiu por causa do financiamento coletivo, que aliás não contou com apoio de nenhuma empresa - como já prevíamos -, mas sim com o apoio de cerca de 400 pessoas, o que foi muito emocionante.

Você entrevistou muitas mulheres incríveis, mas tem alguma que te marcou de uma forma especial?

Todas, todas, todas, de verdade, eu acho uma entrevista melhor que a outra. Não por que eu fiz, mas porque as entrevistadas são incríveis. Tem frases inteiras que eu sei de cor de todas.

Como funciona o processo da entrevista, como você seleciona os nomes?

Eu primeiro escolho um tema e depois escolho a pessoa que acho que fala bem sobre ele. Minha ideia é sempre aprofundar um ponto.

Como é o retorno do público?

Sempre foi muito bonito no canal, e agora com as pessoas recebendo o livro, que tem essa força a mais que é a ilustração da Mariamma Fonseca, que enche os olhos e o coração de qualquer pessoa que pegue o livro. As pessoas ficam tocadas, essa realmente é a grande questão do nosso tempo.

E como esse projeto se transformou em um livro?

Em 2015 eu fui ajudar o meu cunhado, que é ilustrador, na mesa dele na CCXP. Fiquei impressionada com a multidão, com o quanto o mundo das ilustrações mobiliza as pessoas e também com a quantidade de ilustradoras feministas. Eu já tinha o desejo de transformar as entrevistas em livro, dar mais informações sobre cada tema abordado nas conversas, mas ali me deu o estalo de trazer arte para o livro. Aliás, a primeira entrevista do próximo livro é sobre Feminismo e HQ e já está no ar no canal no YouTube.

O livro foi lançado no dia 2 de dezembro em Belo Horizonte e o lançamento em São Paulo acontece neste sábado, dia 16, certo?

Sim, será no Centro Cultural Artemis, na rua Dr Costa Jr, 216 - Água Branca, a partir das 17 horas. Antes dos autógrafos, faremos uma roda de conversa comigo, Mariamma e as entrevistadas que estiverem presentes sobre a palavra feminismo.

A ideia é continuar com as entrevistas em vídeo para sempre transformá-las em livros posteriormente?

Sim, a ideia é fazermos mais 15 entrevistas para o próximo livro. Cinco já estão lá no canal.

Por Natália Lins

Fotos: Reprodução/Facebook Você é Feminista e Não Sabe/Angélica Kalil