Bloco 'Essa Fada' leva feminismo ao Carnaval do Recife

Grupo aborda autoaceitação e protagonismo da mulher na folia

Publicado em 25/01/2018
Meninas do 'Essa fada'

Além de campanhas contra o assédio no Carnaval, como Não é não e #CarnavalSemAssédio, tem bloco abraçando a causa feminista na folia. No Recife, o bloco Essa Fada completa três anos levando seu "Pó de Sim" à capital pernambucana, com festa programada para o dia 7 de fevereiro, a partir das cinco horas da tarde.

O "Pó de Sim" se trata de uma brincadeira fazendo uma versão de glitter empoderada do "pó de pirlimpimpim" do Sítio do Picapau Amarelo, focada na autoaceitação. O bloco defende que as "mulheres tudo podem" e, inclusive, o próprio nome do grupo, inspirado na figura perfeita e romantizada das fadas, pode ser trocado por "és safada". "Essa pode ser e fazer o que quiser", destacam as idealizadoras na página do bloco no Facebook.

Contudo, como bem coloca a campanha do bloco, o sim é válido para a autoaceitação, mas o não continua valendo como "não" nas vontades das mulheres - e ainda, o Essa Fada é parceiro da ação que vai distribuir tatuagens com os dizeres nas ruas nos dias de Carnaval no Recife.

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Desde a sua criação, o bloco Essa Fada passou por modificações. O que começou focado na liberdade sexual das mulheres, agora abrange o protagonismo feminino. Mas, mesmo em meio a um assunto sério, as brincadeiras de Carnaval não ficam de fora da iniciativa. 

Na época de lançamento do bloco, o nome do grupo de idealizadoras era Grêmio Anárquico Feminazi Essa Fada, uma ironia ao termo "feminazi", que vinha se destacando na época pela onda conservadora contrária à luta das mulheres. Desde o ano passado, elas trocaram a palavra por "feminístico". 

"A gente mudou não só o 'feminazi’, mas o nosso logo era uma fadinha pendurada numa 'piroca' de Brennand, como se fosse a varinha mágica”, contou Renata Sá Carneiro, uma das organizadoras do bloco, ao portal PorAqui. “Até isso a gente mudou, que tem mulher que não gosta disso aí. Depois, tivemos a fadinha brincando com a varinha dela sozinha. Ano passado fizemos ela negra, pela diversidade racial”, completou Joana Aquino, uma das diretoras.

Outra mudança eram os homens vestidos de mulher que participavam do bloco, que não fazem mais parte do grupo. Com o passar do tempo, as organizadoras também foram percebendo que a iniciativa poderia ser ainda mais útil como fonte de informação às mulheres e passaram a usar as páginas do bloco nas redes sociais para dialogar com as seguidoras.

A mulher no Carnaval sempre foi um tabu. Aqui em Pernambuco, sempre teve essa coisa do beijo forçado e casos piores de violência, de estupro. O poder público tem lançado algumas campanhas, mas é preciso que essa voz aumente, que seja um coro, como há outros blocos feministas. A gente quer se juntar a esse todo”, concluiu Renata ao portal.

Para mais informações sobre o desfile do Essa Fada esse ano, acompanhe a página do evento no Facebook

Foto: Divulgação/Priscilla Buhr/Facebook Grêmio Anárquico Feminístico Essa Fada