Bertha Lutz lutou pelo direito ao voto às mulheres no Brasil

No dia 2 de agosto se comemora o aniversário da ativista

Publicado em 01/08/2017
Bertha Lutz lutou pelo direito ao voto às mulheres no Brasil

Hoje, se a mulher tem o direito ao voto, todos os méritos vão para Bertha Lutz, que dedicou o seu trabalho e vida à luta pelas causas feministas no Brasil. No dia 2 de agosto é celebrado o aniversário da ativista, que nadou contra a corrente, e ainda nos anos 1930 já defendia igualdade salarial, licença maternidade e redução da jornada de trabalho.

Bertha nasceu em São Paulo em 1894, filha do cientista e pioneiro da Medicina Tropical Adolfo Lutz e da enfermeira inglesa Amy Fowler. Quando adolescente, foi completar a sua educação na Europa, onde conheceu, nas primeiras décadas do século, os movimentos feministas de vanguarda.

Aos 24 anos, licenciou-se em biologia na Faculdade de Ciências de Paris (Sorbonne). De volta ao Brasil, em 1919, se tornou bióloga no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, sendo a segunda brasileira a ingressar em um serviço público, aprovada em primeiro lugar. A partir daí, também dividiu a sua brilhante carreira científica em prol da organização do movimento sufragista brasileiro. 
 

bertha lutz

No mesmo ano, ela e outras mulheres criaram a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, o primeiro passo para o desenvolvimento da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), fundada em 9 de agosto de 1922. Sucessora de Leolinda Daltro, Bertha foi eleita para a presidência da federação, iniciando a luta pelo direito de voto para as mulheres no país. 

"Pelo espaço de alguns dias, as almas das mulheres se misturaram no ideal comum, para contribuir com a sua participação no progresso do mundo", declarou Bertha Lutz na Conferência das Mulheres Panamericanas,  em 1922.

Após a Revolução de 1930, o movimento sufragista conseguiu a grande vitória, por meio do Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932, do presidente Getúlio Vargas, que garantiu o direito de voto feminino no país, até mesmo antes das francesas.

Em 1932, Bertha criou a Liga Eleitoral Independente, no ano seguinte, a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas. Ainda em 1933, cursou Direito na Faculdade do Rio de Janeiro e graduou-se advogada, publicando o livro “A nacionalidade da mulher casada”, no qual defendia os direitos jurídicos da mulher.

bertha lutz

Em 1936, ela assumiu a cadeira de deputada federal na vaga deixada por Cândido Pessoa, que falecera. Durante seu mandato, lutou pela mudança da legislação trabalhista referente à mulher e ao menor. Também propôs igualdade salarial, licença de três meses à gestante e redução da jornada de trabalho, então de 13 horas. 

Em 1951, a feminista foi premiada como título de “Mulher das Américas” e, em 1952, foi a representante do Brasil na Comissão de Estatutos da Mulher das Nações Unidas. Ela continuou no serviço público até se aposentar, em 1964, como chefe de botânica do Museu Nacional, além de participar de eventos ligados à militância feminina

No Ano Internacional da Mulher, em 1975, Bertha foi convidada pelo governo brasileiro a integrar a delegação do País no primeiro Congresso Internacional da Mulher, realizado na capital do México. Foi seu último ato público em defesa da causa feminina e da igualdade de gênero. Bertha nunca se casou e morreu no Rio de Janeiro, em 1976, com 82 anos.

Capa: Divulgação/Ilustração Sarah Grass