App ajuda mulheres na luta contra a violência doméstica

Conheça o 'Mete a colher', que promove um espaço de acolhimento para vítimas

Publicado em 22/01/2018
Home do aplicativo Mete a colher, com o nome do app e uma colher desenhada

Apoio emocional, orientação jurídica e até oportunidade de trabalho para mulheres que buscam independência financeira são alguns dos objetivos do aplicativo Mete a Colher, que, nos últimos dias, reforçou sua rede de atuação reativando a campanha #AconteceuNoCarnaval, um canal exclusivo no WhatsApp destinado para auxiliar mulheres que sofreram assédio durante os dias de Carnaval.

O lançamento do app já completa seis meses, e se destaca como um verdadeiro espaço de acolhimento, sororidade e combate à violência doméstica. Mas a iniciativa do Mete a colher nasceu um pouco antes. Foi há dois anos como uma página no Facebook, conforme contou Aline Silveira, designer e uma das co-criadoras do aplicativo, em entrevista recente à Carta Capital.

"Passamos a receber muitos pedidos de ajuda de mulheres que sofriam abuso, todo tipo, não necessariamente só a agressão física. Muitas relatavam, por exemplo, que o namorado tinha muito ciúmes, ou que estavam se sentindo isoladas ou com a autoestima baixa". 

Além dela, estão envolvidas no projeto a também designer Carol Cani, as desenvolvedoras Lhaís Rodrigues e Mariana Albuquerque, a publicitária Thaísa Queiroz e a jornalista Renata Albertim. Com o tempo de experiência na rede social, as criadoras perceberam que precisavam desenvolver um ambiente mais seguro para essas mulheres, então surgiu o aplicativo.

"Criamos um espaço para relatos anônimos, mais protegido do que uma rede social, um local de acolhimento para quem tem vergonha de falar para a família, para amigos ou pessoas próximas. É tudo anônimo, mas dentro da conversa entre elas é possível se identificar ou oferecer o que desejarem." 

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Após baixar o Mete a colher no celular, é possível enviar um pedido de ajuda anônimo, o qual é analisado pela moderação do aplicativo, que categoriza as solicitações em pedidos de apoio psicológico, jurídico ou busca de emprego.

"Quem quer ajudar escolhe um pedido e responde. A partir daí, vira uma conversa privada, nem nós temos acesso ao conteúdo. A partir dessa conexão, as mulheres se ajudam", completou Aline.

Outro objetivo do grupo, com o espaço de apoio, é diminuir as taxas de feminicídio. "Os dados revelam que a violência de gênero não é um problema pontual. É um problema grande. A maioria dos feminicídios é pelas mãos do companheiro ou do ex. O assassinato é o último estágio, e por isso tentamos atacar o problema antes de ele chegar às últimas consequências." 

Hoje, o grupo Meter a Colher mantém a página do Facebook, onde é possível encontrar informações educativas sobre violência de gênero e relacionamentos abusivos. Já o app, que está disponível atualmente apenas para Android, vai ganhar versão para iOS a partir do segundo semestre deste ano. 

Foto: Divulgação/Mete a Colher