81% dos brasileiros apoiam aborto em casos específicos

Discussão se reacende em meio ao novo adiamento da PEC 181

Publicado em 07/12/2017
Mulher segurando cartaz: "ricas abortam, pobres morrem"

De acordo com a pesquisa Percepções sobre o aborto no Brasil, do Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Locomotiva, 81% dos brasileiros é a favor do aborto em casos específicos. Divulgado nesta segunda-feira (4), o levantamento foi feito por meio de 1,6 mil entrevistas com mulheres e homens maiores de 16 anos em 12 regiões metropolitanas do Brasil, entre 27 de outubro a 6 de novembro. 

Segundo os dados, 59% das entrevistadas apoiam o aborto no caso de estupro. Outros motivos apareceram na pesquisa: gravidez não planejada; se a família não tiver condições de criar; meninas com até 14 anos; feto diagnosticado com alguma doença grave ou incurável; quando a mulher tem zika; quando houver risco de vida da mãe na gestação ou no parto.

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No entanto, de maneira geral, apenas 26% são favoráveis à interrupção da gravidez por decisão da mulher. São contra o procedimento 62%, não são contra nem a favor 10%, e 2% não souberam ou não responderam.

Segundo a pesquisa, 51% das mulheres afirmaram que jamais interromperiam uma gravidez. Outras 33% disseram que não concordam nem discordam e 16% discordam dessa afirmação. No caso dos homens, 48% não permitiriam que uma mulher interrompesse a gestação de um filho seu. Já 17% discordam dessa afirmação e 35% são neutros.

Para ver o levantamento completo, clique aqui

PEC do aborto

A pesquisa foi publicada em meio à discussão sobre a criminalização do aborto no Brasil. Nesta semana, a comissão especial da Câmara dos Deputados que discute a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 181), conhecida como PEC do aborto, adiou novamente a votação para modificações em trechos da proposta, e com isso a conclusão da votação do parecer final. 

PEC 181 tem causado revolta, pois abre brechas para uma proibição total do aborto no Brasil, até mesmo nos casos atualmente permitidos por lei, como estupro, anencefalia do feto e até risco de morte da mãe. 

Foto: Reprodução/Pinterest