3 livros para compreender o movimento feminista negro

Obras fornecem um olhar crítico sobre lutas, conquistas e reivindicações

Publicado em 27/07/2018
ilustração de uma mulher negra mostrando a força de seus braços

Nesta semana (24) foi celebrado o Dia Nacional da Mulher Negra, instituído pelo governo do Brasil em 2014. A data foi inspirada no Dia da Mulher Afro-Latina-Americana e Caribenha, que acontece em 31 de julho. Por todo o país acontecem debates sobre lutas, conquistas e reivindicações femininas. A resistência da mulher negra vem se manifestando de forma cada vez mais profunda, promovendo bens culturais densos  - como livros, música e entretenimento televisivo - e ocupando espaços que são delas por direito. Para inspirar a discussão e fornecer um olhar crítico sobre o feminismo negro, o Bar de Batom separou três obras que trazem uma introdução ao assunto:

"Quem tem medo do feminismo negro?" (2018)

"Quem tem medo do feminismo negro?"

Djamila Ribeiro é uma das vozes da consciência negra feminina no Brasil. Ela é mestre em filosofia política e tem forte atuação nas redes, incluindo posts nos blogs Azmina e Blogueiras negras, além de coluna no site da Carta Capital. O seu livro Quem tem medo do feminismo negro? é uma reunião de 34 escritos publicados ao longo dos últimos quatro anos na internet e em jornais e revistas. O racismo no humor e no futebol, machismo, a importância das cotas sociais e o lugar de fala são alguns dos temas abordados nos textos. Muitos deles são uma tentativa de explicar e explicitar a necessidade de se discutir especificamente o feminismo negro. No prefácio do livro, a escritora conta um pouco da própria história, envolta em violências sofridas na infância e adolescência. 

Conceição Evaristo – Becos da Memória (2006)

becos da memória

Nascida na favela do Pendura a Saia, em Belo Horizonte, numa família de mulheres lavadeiras, cozinheiras e empregadas domésticas, Conceição Evaristo é a única de nove irmãos a chegar ao nível universitário. Agora ela pode ser a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL) - a eleição acontece em 30 de agosto. No seu livro Becos da Memória, um dos mais conceituados romances da literatura nacional, Conceição traduz, a partir de seus muitos personagens, a complexidade e extremos humanos: desamparo, racismo, fome e miséria. Porém, tudo isso sem perder o lirismo e a delicadeza em sua escrita. 

Angela Davis – Mulheres, Raça e Classe (1981)

mulheres, raça e classe

Angela Davis é uma professora e filósofa socialista americana que alcançou a popularidade mundial na década de 1970 como integrante do Partido Comunista dos Estados Unidos, dos Panteras Negras. Ela sempre militou pelos direitos das mulheres e contra a discriminação social e racial. Mulher, raça e classe traça um poderoso panorama histórico e extremamente crítico sobre a luta feminista, antirracista e antiescravagista. A obra é considerada uma introdução para entender o feminismo negro e toda a questão machista e racial envolvida, passando pelos dilemas contemporâneos da mulher.

Foto: Reprodução/Pinterest