1ª ginasta a denunciar abusos em seleção revela identidade

A norte-americana Maggie Nichols anunciou que fez a primeira denúncia em 2015

Publicado em 10/01/2018
Atleta Maggie Nichols

A ginasta norte-americana Maggie Nichols, de 20 anos, revelou nesta terça-feira (9), em um comunicado, que ela é a "Atleta A", a primeira a denunciar os crimes sexuais do ex-médico da equipe de ginástica artística dos Estados Unidos, Larry Nassar, de 54 anos. Em 2015, após a técnica de Nichols, Sarah Jantzi, relatar o caso, a Federação Americana de Ginástica (USA Gymnastics) decidiu não revelar o nome de Maggie e passar a usar Atleta A para se referir à ginasta.

"Quero que todo mundo saiba que ele [Nassar] não fez isso com a 'Atleta A', ele fez isso com Maggie Nichols", disse a atleta. Em seu comunicado, a ginasta fala sobre o primeiro abuso de Nassar, durante um tratamento para dor nas costas: "[...] lembro que ele me levou para a sala de treinamento, fechou a porta e fechou as cortinas. Pensei que ele provavelmente não queria distrair as outras garotas e confiei nele. Confiei no que ele estava fazendo no início, mas depois ele começou a me tocar em lugares que não achava que ele deveria. Ele não tinha luvas e ele não me disse o que estava fazendo. Não havia mais ninguém na sala e eu aceitei o que ele estava fazendo, porque me disseram por adultos que ele era o melhor médico e ele poderia ajudar a aliviar a minha dor".

Maggie, que foi ouro por equipes e bronze no solo no Mundial de 2015, desencadeou uma onda de acusações de atletas e ex-atletas contra Nassar por abuso sexual. McKayla Maroney, Gabby Douglas, Rachael Denhollander e Aly Raisman também revelaram ter sido abusadas sexualmente pelo ex-médico.  

Raisman, que também acusa Nassar de abuso sexual, mostra apoio à Maggie em seu Twitter: "Eu te apoio @MagsGotSwag12 orgulhosa de compartilhar a sua história. Eu estou com você. Eu sei que isso não é fácil mas eu sei que você é incrivelmente forte. Vamos passar por isso juntas!".

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Segundo o documento de acusação da Justiça da Califórnia, Nassar "acariciava seios e partes íntimas das atletas alegando ser 'parte do tratamento médico' imposto para a equipe". Além disso, acumula mais 100 denúncias de molestação, 25 casos de abuso sexual e download de pornografia infantil, com 37 mil arquivos em vídeo e imagens de crianças e adolescentes. O ex-médico trabalhou com ginastas americanas de 1994 a 2008 e já foi condenado, em dezembro de 2017, a 60 anos de prisão por pedofilia.

"Seu trabalho era cuidar da nossa saúde. Em vez disso, ele violou a nossa inocência", completou a atleta.

Foto: Reprodução Pinterest